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DADOS
GEOGRÁFICOS DA REGIÃO SUL

A
Região Sul, formada pelos estados do Paraná, Santa
Catarina e Rio Grande do Sul, é a menor das regiões
brasileiras, com uma superfície de 577.214 km2 , que
equivale a apenas 6,76 % do total nacional. Limita-se, ao
norte, com os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul,
a oeste com o Paraguai e a Argentina e, ao sul, com o
Uruguai. A leste, numa extensão de 1.350 km, é banhada
pelo Oceano Atlântico. Está compreendida,
aproximadamente, entre os paralelos 22º 30' e 51º 30'
sul e os meridianos 48º 00' e 57º 30' oeste,
praticamente na Zona Subtropical, cortada pelo Trópico de
Capricórnio na altura da cidade de Maringá-PR.
Com
23.516.730 habitantes, a Região Sul apresenta o terceiro
maior contingente populacional do País, participando com
15% do total. Os maiores centros populacionais estão
localizados nas capitais e em cidades como Ponta Grossa,
Campo Mourão, Maringá, Londrina, Joinville, Lages,
Blumenau, Passo Fundo, Caxias do Sul, Novo Hamburgo, Santa
Maria e Canoas.
O
relevo da região destaca-se por apresentar uma ampla
variedade de geotipos, como planaltos, planícies, serras,
montanhas, cânions e ilhas com influência na
compartimentação do clima e da vegetação. A sua
fisionomia é bastante peculiar se comparada às outras
regiões brasileiras, além de apresentar cenários
naturais de formidável beleza cênica.
As
grandes unidades de relevo são representadas na região
por um conjunto de planaltos bem marcados, com terrenos
cristalinos na borda oriental. No setor mais próximo do
oceano, destacam-se serras de grande expressão e
altitudes superiores a 1.000 m, como as serras do Mar e
Geral. Em direção ao interior, o setor oriental
apresenta um relevo de constituição basicamente
sedimentar, formando planaltos escalonados pouco
inclinados a oeste, surgindo, por vezes, altitudes
superiores às dos relevos do planalto cristalino, tendo,
nas proximidades do Rio Paraná, cotas que decrescem entre
100 e 300 m. Esses terrenos sedimentares, correspondem,
aproximadamente, às áreas do relevo regional, e
constituem a extensa Bacia Sedimentar do Paraná, que
domina a paisagem.
As
planícies sedimentares litorâneas diversificam o quadro
do relevo regional. No Paraná, a proximidade da Serra do
Mar determina um litoral recortado, articulado com saliências,
pontais, ilhas alternadas com exíguas baixadas litorâneas,
acompanhando as direções estruturais N-NE da borda
cristalina oriental. Em Santa Catarina, o litoral toma
direção inicial N-S e a seguir NE-SO, evidenciando o
desgaste sofrido pelas escarpas da Serra do Mar, recuada e
fragmentada em colinas junto à costa. No Rio Grande do
Sul, a borda cristalina rebaixada e interiorizada permitiu
a formação de um litoral mais amplo, baixo e
retilinizado com a formação de restingas que barram as
lagoas costeiras, como a dos Patos e Mirim.
Na
região litorânea as altitudes variam desde o nível do
mar até cotas superiores a 1.900 m nos picos mais
elevados. Entretanto, pode-se estimar em cerca de 2/3 da
superfície regional a área acima da cota dos 500 m.
A
hidrografia regional, na qual predominam rios de planalto,
é formada por uma densa rede de drenagem constituinte das
bacias interiores do Paraná e do Uruguai e por uma grande
quantidade de bacias de pequeno e médio portes na
vertente litorânea, o Sistema de Bacias do Sudeste. Os
rios das bacias interiores unem suas águas para formar, já
fora do Brasil, o rio da Prata, constituindo a Bacia
Hidrográfica Platina, enquanto os rios das bacias do
sudeste deságuam diretamente no oceano ou em baías, de
Garopaba (SC) para o norte, e em lagos costeiros dessa
localidade para o sul, com exceção dos rios Araranguá e
Mampituba, que têm sua foz em mar aberto.
Na
Região Sul, a Bacia Hidrográfica do Paraná ocupa uma área
de 196.564 km2, representada por um pequeno segmento do
volumoso rio Paraná que se estende da foz do rio
Paranapanema até a foz do rio Iguaçu, apresentando-se
consideravelmente largo a montante da cidade de Guaíra
(PR), onde supera 2,5 km de largura. Apesar de sua pouca
extensão na região, o Rio Paraná apresenta uma
importante rede de afluentes, tanto sob o ponto de vista
dos aspectos hídricos, como energéticos e de
aproveitamento turístico. Além do Rio Paraná,
destacam-se nessa bacia, os rios Paranapanema, Iguaçu,
Tibagi, Itararé, das Cinzas e Pirapó.
Ocupando
178.235 km2, a Bacia Hidrográfica do Rio Uruguai está
representada no sul pelo rio do mesmo nome, seus
formadores e afluentes, abrangendo uma área que se
estende até a confluência com o rio Quaraí, na
fronteira do Brasil com o Uruguai. Além do rio Uruguai,
destacam-se os rios do Peixe, Chapecó, Pelotas, Canoas e
Ijuí.
Prolongando-se
por toda a extensão do litoral, as Bacias Hidrográficas
do Sudeste ocupam, na Região Sul, uma área de 202.928
km2. Da divisa com o estado de São Paulo até as
proximidades de Florianópolis, os rios litorâneos
apresentam regime caracteristicamente tropical, enquanto
que, deste ponto até a fronteira com o Uruguai, o regime
passa a ser pluvial oceânico, do gênero subtropical.
Nessas bacias, destacam-se os rios Guaraqueçaba,
Nhundiaquara, Cubatão, Itajaí-Açu, Tubarão, Araranguá,
Mampituba, Jacuí, Camaquã, Piratini e Jaguarão.
O
clima regional do sul, em comparação com as demais regiões
do país, caracteriza-se por sua homogeneidade,
notadamente no que se refere à sua pluviometria e ao
ritmo estacional de seu regime. Destaca-se um clima mesotérmico
bastante úmido no Planalto Meridional e Subtropical, e
super úmido na faixa litorânea e na encosta atlântica,
com temperaturas bastante elevadas. Como característica
geral, o clima do Sul é subtropical e temperado,
apresentando uma sensível oscilação térmica durante o
ano. É possível diferenciar nitidamente duas estações:
o inverno, que pode ser frio e o verão, moderadamente
quente. Apenas o noroeste do estado do Paraná e os
litorais do Paraná e Santa Catarina apresentam invernos
amenos e verões consideravelmente quentes, excetuando-se
os locais mais elevados do planalto, de clima
caracteristicamente mais brando.
As
temperaturas são muito variáveis, sendo moderadas no
Planalto Central e bastante frias nas altas altitudes da
borda oriental. Nesses locais verificam-se, freqüentemente,
temperaturas abaixo do ponto de congelamento, podendo
ocorrer, por vezes, nevadas nos meses de junho e julho,
como também, geadas noturnas, praticamente em todo o
Planalto.
O
regime de chuvas caracteriza-se, principalmente, por não
apresentar uma estação seca, havendo uma precipitação
anual bastante uniforme, embora haja períodos de maior e
menor precipitação em diferentes locais. Além disso, o
sul é privilegiado por altos índices pluviométricos,
cujos valores médios oscilam entre 1.700 - 1.500 mm
anuais, estando seus extremos compreendidos entre 1.200 -
2.500 mm. Na borda oriental do planalto meridional tais
valores extremos são ainda mais elevados, índices também
válidos para o oeste de Santa Catarina e sudoeste do
Paraná.
Três
formações florestais bem distintas podem ser definidas
nas terras do sul: a Floresta Atlântica (Floresta Ombrófila
Densa) e vegetação associada, a Floresta de Araucárias
(Floresta Ombrófila Mista) e a Floresta da Bacia do Paraná-Uruguai
(Floresta Estacional). A Floresta Atlântica, apesar de
ter sido substancialmente reduzida em sua área original,
ocorre desde o Vale do Ribeira, na divisa com São Paulo,
até a Lagoa dos Barros, no Rio Grande do Sul, ocupando as
planícies costeiras, as encostas orientais da Serra do
Mar e as diversas ramificações da Serra Geral em Santa
Catarina e no Rio Grande do Sul. Na área de distribuição
dessa floresta, em locais marginais mais próximos do
oceano, desenvolvem-se formações típicas dos litorais,
representadas por manguezais, com limite de distribuição
austral em Santa Catarina, vegetação de praias, dunas e
restingas. Para o interior, além das encostas cristalinas
das serras, desenvolve-se a Floresta de Araucárias que,
como a Atlântica, é bastante visada pela indústria
madeireira. A Floresta de Araucárias encontra, no sul, a
sua principal área de ocorrência, destacando-se
importantes remanescentes nos planaltos do Paraná e Santa
Catarina. A Floresta do Uruguai, que apresenta seu maior
desenvolvimento ao longo dos rios Paraná, Uruguai e seus
afluentes, é encontrada em altitudes que variam entre 500
e 800 m, alcançando por vezes 100 a 150 km de largura.
Além
dessas formações, ocorrem vastas áreas de savanas
compreendendo terras cobertas pelos campos limpo e sujo
dos Campos Gerais do Paraná, formações campestres dos
planaltos catarinense e riograndense, e núcleos menores,
como os campos de Guarapuava, Palmas, Campo Erê, Matos
Costa, etc. Ocupando vastas áreas do Planalto Meridional,
em terrenos de relevo geralmente pouco ondulado, essas
savanas recebem denominações locais como: Campos Gerais
na faixa oriental do segundo planalto do estado do Paraná,
Campos de Curitiba, Campos de Lages e Campanha Gaúcha.
Esta última, localizada na parte meridional do Rio Grande
do Sul, representa a maior área contínua de campos
naturais existente no Brasil.
A
história da ocupação antrópica no sul foi
consideravelmente influenciada por características
naturais, principalmente com relação à topografia, ao
clima e à cobertura vegetal. O clima ameno da região
favoreceu sobremaneira o desenvolvimento de culturas típicas
européias, entre as quais a de trigo e de uvas, além de
arroz e de outros cereais. As matas de araucária e de
outros tipos permitiram boa produção de madeira. No
extremo sul, nas vizinhanças de grandes lagoas muito próximas
ao mar, multiplicam-se suaves elevações cobertas de
pastagens. As condições climáticas apresentadas no Sul,
de maneira mais evidente do que na região Sudeste,
estimularam a vinda de imigrantes europeus de diversas
origens, propiciando o desenvolvimento de uma cultura também
diversificada e distinta da maioria encontrada em outras
regiões do país. São comuns as cidades que lembram as
origens européias de seus colonizadores, sendo de grande
expressão os alemães, os italianos, os austríacos e
poloneses. Os métodos empregados na agricultura e pecuária
garantem um nível de alimentação dos mais satisfatórios.
Com
a chegada dos imigrantes europeus, desde a primeira metade
do século passado, o Sul iniciou a sua industrialização,
tornando-se o segundo parque regional do país.
Inicialmente, a produção era bastante familiar, tendo
por objetivo suprir as necessidades domésticas.
Posteriormente, com o crescimento populacional e o
desenvolvimento dos centros urbanos, a indústria de base
artesanal transformou-se em pequenas indústrias e estas,
por sua vez, deram origem a algumas indústrias de grande
porte.
A
Região Sul apresenta índices consideráveis em relação
ao turismo nacional. Dados apresentados pela EMBRATUR
(1992 a 1994) mostram que 50% das oito cidades mais
visitadas do país são sulinas: Florianópolis, Foz do
Iguaçu, Porto Alegre e Camboriú.
ESTADO
DO PARANÁ
O
Estado do Paraná, com 199.323,90 km2 de superfície,
corresponde a 2,36% do território brasileiro. Localiza-se
entre as latitudes 22º 29' 30" , e 26º 42' 59"
sul, com uma extensão superior a 468 km em direção
norte-sul, e entre as longitudes 48º 02' 24" e 54º
37' 38", ultrapassando 647 km leste-oeste. Limita-se,
ao norte, em uma extensão de 940 km com São Paulo; a
leste, em 98 km com o Oceano Atlântico; ao sul e sudeste,
em 754 km com Santa Catarina; a sudoeste, em 239 km com a
Argentina; e a oeste, em 208 km o Paraguai e, em 219 km,
com o Mato Grosso do Sul.
A
população do Paraná é a segunda maior da região,
totalizando 9.003.804 habitantes, dos quais 77,88% ocupam
área urbana (IBGE, 1996). Os maiores centros são
Curitiba, Ponta Grossa, Campo Mourão, Londrina e Maringá.

O
relevo do território paranaense apresenta-se de leste
para oeste, constituído por uma seqüência de degraus
estruturais, dividindo o Estado em duas grandes regiões
naturais: o litoral e os planaltos, com inclinação geral
W e NW. O litoral, ou Região Litorânea, situa-se entre o
oceano e a Serra do Mar, desde o Vale do Ribeira, na foz
do Rio Varadouro, até a divisa com o Estado de Santa
Catarina, na foz do Rio Saí Guaçu, caracterizada pela
proximidade das encostas elevadas, íngremes e dissecadas
da Serra do Mar com a costa. Na sua maior parte, as elevações
ocorrem quase paralelamente ao Oceano Atlântico, tendo
alturas médias acima de 1.000 m sobre o nível do mar,
representadas por picos isolados de grande expressão
altimétrica, como o Marumbí e o Paraná, com cerca de
2.000 m e cobertos por vegetação típica onde predominam
espécies de altitudes elevadas. Apesar da imponência das
montanhas, o litoral paranaense é reduzido, se comparado
ao dos outros estados do sul.
Na
linha da costa paranaense, destacam-se as baías de
Paranaguá e de Guaratuba, com a presença de numerosas
ilhas, como a das Peças, do Mel, da Cotinga, Palmas e
Itacolumi e extensos manguezais. A Baía de Paranaguá,
uma das maiores do Brasil, estende-se 50 km terra a dentro
com largura máxima de 10 km, compreendendo três baías
menores: Antonina, Laranjeiras e Pinheiros, enquanto que a
de Guaratuba, menor e localizada ao sul de Paranaguá,
estende-se 15 km terra a dentro, com largura máxima de 5
km.
Na
região dos planaltos diferenciam-se três áreas: mais próximo
do litoral, o Planalto de Curitiba (Primeiro Planalto),
localiza-se entre a Serra do Mar e as proximidades da
cidade de Castro, onde surgem escarpas com denominações
locais: Serrinha, Almas, Purunã e Furnas. No interior,
surge o Planalto dos Campos Gerais ou Ponta Grossa
(Segundo Planalto), que se expande até as escarpas da
Serra Geral, denominada localmente Serra da Boa Esperança
e exibe uma paisagem predominante suavemente ondulada, com
a presença de depressões tipo cânions, próximo à
cidade de Castro. Desse planalto para oeste, até a
fronteira com os países vizinhos, encontra-se o Planalto
de Guarapuava (Terceiro Planalto), o maior em extensão e
coberto por derrames de lavas basálticas.
A
rede hidrográfica do Paraná é formada por duas bacias:
a do Paraná e a do Sistema de Bacias do Sudeste. A
primeira, de maior importância, abrange 80% do território
e banha o Estado a oeste, desde a foz do Rio Paranapanema
até a foz do Rio Iguaçu. Seus principais afluentes são
o Paranapanema, o Ivaí, o Piquiri e, principalmente, o
Iguaçu, cuja bacia, além de ser a maior do Estado,
representa um dos mais elevados potenciais hidrelétricos
do Brasil. O complexo hidrográfico do sistema de Bacias
do Sudeste, pouco representado no Paraná, é formado por
rios oriundos da Serra do Mar que cruzam a planície litorânea
e deságuam nas baías.
As
cataratas do Iguaçu, internacionalmente conhecidas por
sua beleza e magnitude, formam um dos maiores conjunto de
quedas d'água do mundo, sendo formidável atração turística
da cidade de Foz do Iguaçu. A largura total dos saltos é
de 2.700 m, dos quais 800 m se localizam em território
brasileiro, e o restante pertence a Argentina.
O
Paraná é um estado no qual as temperaturas variam
substancialmente de acordo com a localização altimétrica.
A temperatura em torno de 18ºC, característica das
localidades situadas entre 800 e 500 m de altitude,
decresce para uma média anual de 16ºC nas áreas mais
elevadas do Planalto de ocorrência de Araucárias, entre
1.200 e 1.000 m. Temperaturas anuais de cerca de 14ºC
ocorrem nos picos mais elevados da Serra do Mar, em
altitudes superiores a 1.300 m.
Em
todo o território paranaense janeiro é o mês mais
quente do ano, raramente a temperatura atingindo seu ponto
culminante em princípios de fevereiro. As temperaturas
mais elevadas ocorrem nas localidades de Paranaguá, na
Região Litorânea, em Londrina, na porção norte do
Terceiro Planalto, em Foz do Iguaçu, no vale do rio Paraná
e em Jacarezinho, ao norte, onde se apresenta a maior máxima
absoluta do Estado.
As
temperaturas mais baixas são observadas em julho
acompanhadas inclusive pela ocorrência de nevadas e
geadas nos planaltos mais elevados do interior e nas
maiores altitudes dos picos mais altos. A cidade de
Palmas, com temperatura média anual em torno de 15,2ºC,
registra a menor média do Estado, e Curitiba é a capital
brasileira com a menor média anual, com cerca de 16,2ºC.
O
estado do Paraná, em virtude da localização no setor
setentrional da região, apresenta um regime anual de
precipitação semelhante ao que caracteriza o Brasil
tropical, ocorrendo máximo pluviométrico no verão, e mínimo
em fins do outono ou no inverno.
As
áreas de Unidades de Conservação no território do
Paraná somam cerca de 638.000 ha, delimitando
ecossistemas de ocorrência de Floresta Atlântica,
Floresta de Araucárias, Floresta do Uruguai, campos,
restingas, dunas, praias, ilhas e águas interiores e de
mar aberto. Com relevância, destacam-se os Parques
Nacionais de Iguaçu, com 170.086 ha e do Superaguí, com
21.000 ha de restingas consideravelmente bem preservadas.
Além desses, pela presença de importantes remanescentes
de Floresta Atlântica e pela grande beleza cênica,
destacam-se as Áreas de Especial Interesse Turístico de
Marumbi e Guaraqueçaba, ambas no litoral, situadas próximas
de Paranaguá.
Áreas
com remanescentes florestais significativamente
preservadas no Paraná encontram-se bastante reduzidas,
principalmente as localizadas no interior, onde a história
de ocupação antrópica voltada ao desenvolvimento agrícola
e madeireiro causou drástica perda de grande parte da
Floresta de Araucárias. O litoral paranaense é alvo de
loteamentos em áreas de florestas primitivas, atividades
pecuárias em áreas de várzeas brejosas, extração de
areia e saibro, olericultura com alta aplicação de agrotóxicos
e poluição de esgotos domésticos. Apesar disso, na
faixa litorânea existem vários remanescentes de Floresta
Atlântica localizados em terrenos de difícil acesso e
topografia acidentada, mostrando uma paisagem
predominantemente verde de mata, onde se destaca a Serra
da Graciosa, cortada por estrada homônima de grande
beleza.
A
cidade de Curitiba, capital do Paraná, distingue-se como
importante centro póli-industrial, sendo as indústrias
madeireira e de móveis as mais proeminentes. No norte do
Estado outros centros regionais com notável
desenvolvimento industrial são: Londrina, Maringá,
Apucarana, Paranavaí e Jacarezinho, e, próximo a
Curitiba, a cidade de Ponta Grossa. No litoral, Paranaguá
assume importância econômica pela presença do porto de
mesmo nome, um dos maiores do país.
ESTADO
DE SANTA CATARINA
O
menor Estado do Sul, com 95.318 km2, apresenta também a
menor população, com 4.875.244 habitantes, dos quais
73,13% ocupam áreas urbanas. Sua superfície corresponde
a 1,12% do total nacional e 16,61% da Região Sul.
Localizado entre as latitudes 26º 00' e quase 30º 00'
sul e longitudes 48º 30' e quase 54º 00' oeste, o Estado
de Santa Catarina limita-se ao norte com o Paraná, ao sul
com o Rio Grande do Sul, a oeste com a Argentina e a
leste, com o Oceano Atlântico. Os maiores centros
encontram-se em Joinville, Lages, Criciuma, Blumenau,
Itajaí e Chapecó.

O
relevo do território catarinense caracteriza-se por
apresentar duas regiões distintas, limitadas pelas elevações
das Serras do Mar e Geral. Daí para o interior, domina um
altiplano levemente inclinado para oeste, conhecido por
Região do Planalto. Para leste, da borda desse planalto
até o mar, a Região do Litoral e Encostas é constituída
por uma diversidade de formações topográficas, formando
setores com características próprias e de grande beleza
cênica.
Na
Região do Planalto diferenciam-se as regiões das bacias
do rio Uruguai e do rio Iguaçu. O Planalto da Bacia do
Rio Uruguai inclui terras localizadas no oeste e sudoeste,
até as escarpas da Serra Geral, situada a leste. A
drenagem principal é constituída pelo rio do mesmo nome
e por seus formadores, os rios Pelotas e Canoas. O rio
Uruguai nasce no Morro da Igreja (1.808 m) e o Iguaçu no
Campo dos Padres (1.800 m), os acidentes orográficos mais
elevados do território catarinense. O revelo desse
planalto desenvolve-se para oeste, onde predomina a forma
de patamares. O Planalto do Rio Iguaçu, de menor abrangência,
inclui as terras próximas da divisa com o Paraná, entre
o rio Negro e sua foz no rio Iguaçu, até a cidade de
Porto União, destacando-se as serras da Moema, de Jaraguá
e do Rio Preto, todas de grande beleza e destaque na
paisagem.
A
Região do Litoral e Encostas é formada por planaltos
sedimentares e encostas cristalinas que formam as serras
litorâneas, sendo a drenagem orientada para leste, em
direção ao oceano. Na área mais ao norte, a imponente
Serra do Mar adentra o Estado, com desenvolvimento notável
nas localidades de Garuva, Joinville e Jaraguá do Sul.
Na
altura do Vale do Itajaí, e daí para o sul, a Serra
Geral passa a constituir o divisor de águas para a
vertente atlântica, formando múltiplas ramificações
menores, algumas de grande desenvolvimento. Essa área
serrana, também de topografia acidentada como a anterior,
apresenta alto potencial de aproveitamento turístico.
O
litoral é formado por dois setores bastante
diferenciados, caracterizando paisagens distintas. No
sentido norte-sul, da divisa com o Paraná até o cabo da
Santa Marta, apresenta-se muito recortado, repleto de
pequenas baías, enseadas, restingas, praias, dunas, costões,
ilhas, lagoas, banhados e manguezais. Nesse setor, mais ao
norte, em continuidade com o litoral do Paraná,
encontra-se uma planície densamente drenada, onde se
situam a Baía da Babitonga, com extensos manguezais, e a
ilha de São Francisco. Mais centralmente, o litoral se
caracteriza pela presença de um grande número de
pequenas praias e enseadas, cercadas por ramificações da
Serra, constituindo-se em uma das mais belas faixas litorâneas
do país. Nessa faixa, onde predominam belas praias,
enseadas e ilhas, com elevado potencial turístico
situa-se Florianópolis, capital do Estado e localizada,
em parte, na Ilha de Santa Catarina, As mesmas características
podem ser encontradas até a altura de Garopaba, também
com pequenas praias, algumas cercadas por montanhas
cobertas por remanescentes da Floresta Atlântica.
Do
cabo de Santa Marta até o Passo de Torres, na divisa com
o Rio Grande do Sul, o litoral adquire uma forma
retificada e monótona. Além da presença inicial de
lagoa nos arredores de Laguna, uma única e extensa praia
passa a dominar a paisagem. Mais para o interior, no
entanto, as escarpas da Serra Geral desenham uma paisagem
fantástica, onde a imponência das montanhas mostra um
relevo incrivelmente acidentado, o que pode ser verificado
ao subir a estrada da Serra do Rio do Rastro em direção
ao planalto e às cidades de São Joaquim e Lages.
Como
ocorre no Paraná, as temperaturas médias em Santa
Catarina variam substancialmente de acordo com a localização
altimétrica, definindo uma região caracteristicamente
mais fria no interior e uma mais quente no litoral. A
temperatura em torno de 18ºC carateriza as localidades
litorâneas situadas entre 500 e 300 m de altitude e as
interioranas que se situam entre 500 e 450 m, reduzindo-se
a 16ºC naquelas onde ocorrem altimetria entre 1.000 e 750
m. Temperaturas menores ocorre na região entre Lages e São
Joaquim, em altitudes superiores a 1.000 m, culminando no
Morro da Igreja, com altitude de 1.808 m e média anual de
10ºC, aproximadamente. Nesses locais são comuns geadas e
nevascas nos meses de inverno, criando paisagens cobertas
de gelo e neve que lembram regiões da Europa.
As
áreas sob regime de proteção legal em Santa Catarina
somam aproximadamente 178.000 ha distribuídos na forma de
Unidades de Conservação com tipologias diversas,
nacionais e estaduais, delimitando ecossistemas de
Floresta Atlântica, Floresta de Araucárias, campos,
restingas, dunas, ilhas e espaços de mar. Entre essas,
destacam-se os Parques Nacionais de São Joaquim e da
Serra Geral, situados no planalto, em áreas de rara
beleza natural onde as serras catarinenses mostram suas
mais belas feições. Além desses, o Parque Estadual da
Serra do Tabuleiro, próximo ao litoral, guarda considerável
remanescente de Floresta Atlântica.
A
história da ocupação do litoral do Estado, notadamente
marcada pela chegada de colonizadores açorianos e pelas
disputas territoriais entre a Espanha e Portugal, legou à
região fortes traços culturais e arquitetônicos
presentes em cidades e vilarejos típicos, como São
Francisco do Sul, ao norte, Ribeirão da Ilha, em Florianópolis
e Laguna, ao sul. Além dessas cidades com belas casas açorianas
e comida e artesanato típicos, destacam-se os fortes de
Florianópolis, construídos para defender as terras
portuguesas dos ataques espanhóis.
As
características naturais das águas oceânicas de Santa
Catarina, onde se apresentam os melhores locais do sul do
Brasil para a prática de mergulho de observação, além
da ocorrência de espécies notáveis de fauna, como a
baleia franca e lobos marinhos, são de alto valor turístico.
As regiões de Porto Belo, Bombinhas, Florianópolis e
Garopaba destacam-se por concentrar tais valores
potenciais e por possuir estrutura adequada ao
desenvolvimento de um turismo de alto nível.
Da
mesma maneira que no Paraná, o litoral catarinense
encontra-se sujeito a diversas ações predatórias, como
a extração de carvão, os despejos de elevadas cargas de
matéria orgânica e produtos químicos no eixo
Blumenau-Brusque, a pesca predatória, os projetos de
loteamento catastróficos, o lançamento de esgotos domésticos,
hospitalares e industriais, o que, certamente, contribui
para ameaçar o potencial de desenvolvimento turístico.
O
maior centro industrial do Estado é a cidade de
Joinville, fundada pela migração alemã na década de
1850, caracterizada pela diversidade de gêneros de indústrias.
Além de Joinville, destacam-se Blumenau, grande centro têxtil,
localizada no Vale do Itajaí e também fundada por alemães;
Brusque (indústria têxtil); Lages (indústria
madeireira); Criciúma e Tubarão (carvão mineral);
Chapecó (produtos de origem suína), além de outros
centros menores. Também relevante é a presença dos
portos de Itajaí, Imbituba e São Francisco do Sul, onde
uma porção considerável dos produtos catarinenses é
exportada para muitas partes do mundo.
ESTADO
DO RIO GRANDE DO SUL
O
Estado do Rio Grande do
Sul, apresenta uma superfície de 267.807,20 km2, e a
maior população da Região Sul com 9.637.682 habitantes,
dos quais 78,66% ocupam áreas urbanas. Os maiores centros
encontram-se na Região Metropolitana de Porto Alegre,
destacando-se a própria capital, Canoas, Alvorada,
Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Novo Hamburgo. No
interior, Passo Fundo, Santa Maria, Pelotas, Cachoeira do
Sul e Rio Grande são as maiores construções.

A
integração definitiva de seu território só se
completou no início do século passado (1801), quando
ocorreu a incorporação das Missões Jesuíticas da
margem esquerda do rio Uruguai.
O
relevo do Estado apresenta um litoral de planícies e um
interior formado por planaltos integrantes da Bacia do
Uruguai. As planícies litorâneas assumem fisionomias típicas,
em conseqüência do afastamento progressivo da Serra
Geral da costa, formando uma grande planície livre que
pode chegar a medir 600 km de extensão e largura variável
entre 20 e 50 km. O litoral predominante é retilíneo,
com praias que se estendem por centenas de quilômetros.
Essa região é, em grande parte, ocupada por inúmeras
lagoas de tamanhos distintos, bem como por uma infinidade
de banhados e brejos que imprimem a esta parte do litoral
um aspecto singular, destacando-se as lagoas dos Patos e
Mirim, e o banhado do Taim. A drenagem constitui-se como a
porção mais austral do Sistema de Bacias do Sudeste.
Na
vasta extensão predominantemente baixa e plana da planície
mais próxima ao mar destaca-se, quase na divisa com Santa
Catarina, o promontório de Torres, formado por uma sucessão
de elevações colunares da Serra Geral junto à costa, o
que marca a paisagem local e a diferencia do restante da
costa gaúcha.
Em
direção ao interior dominam os planaltos, conhecidos
como das Araucárias no centro e noroeste do Estado,
Sul-Rio-Grandense em uma porção sudeste na mesma
latitude das lagoas dos Patos e Mirim e, na região
sudoeste, desde Uruguaiana até Bagé, a Campanha Gaúcha,
caracterizada por uma topografia suave coberta por vegetação
de campinas rasas caracteristicas de considerável parte
desse setor do Rio Grande do Sul.
No
município de Cambará do Sul e proximidades, na região
de divisa com Santa Catarina, ramificações da Serra
Geral formam os maiores cânions do Brasil, conhecidos
localmente como "taimbés" ou
"aparados" da serra, verdadeiros precipícios de
várias centenas de metros. Neles, por vezes, se encontram
cascatas tipo "véu de noiva", como ocorre na
localidade de Itaimbezinho. Além dessas formações região,
merecem destaque as serras nos municípios de Gramado e
Canela, também com a presença de quedas de água, relevo
fortemente acidentado e presença de gargantas, como a do
Parque do Caracol.
Nas
proximidades de Porto Alegre, onde ainda ocorre o
embasamento cristalino, desenvolvem-se os últimos núcleos
da Floresta Atlântica, em seu limite austral, bastante
descaracterizada quanto aos seus aspectos mais
expressivos.
O
clima gaúcho é fortemente determinado pelo relevo e, em
parte, pela cobertura vegetal, com exceção das áreas de
ocorrência de campos. Assim, há uma região tipicamente
mais fria, representada pelas localidades situadas nas
serras gaúchas, de grande identidade climática com as
serras catarinenses. A outra região, com médias mais
quentes, acha-se representada por uma grande extensão de
terras de planície com baixas altitudes, onde a isoterma
de 24ºC, que aparece no Paraná e desaparece em Santa
Catarina, volta a ocorrer e mais, aparece também a
isoterma de 26ºC, ausente nos outros estados da Região
Sul.
No
Rio Grande do Sul, a temperatura em torno de 18ºC
carateriza as localidades litorâneas situadas entre 300 m
de altitude e o nível do mar e as interioranas que se
situam entre 500 e 200 m, reduzindo-se para 16ºC naquelas
com altimetria entre 750 e 700 m. Temperaturas menores são
registradas nas altas altitudes, entre Vacaria e Lages,
(SC).
As
áreas protegidas no Rio Grande do Sul somam cerca de
70.000 ha, destacando-se o Parque Nacional de Aparados da
Serra, na divisa com Santa Catarina, onde se encontram os
cânions do Itaimbé, da Fortaleza, de Malacara e outros.
Fechado por longo período para estruturação, o Parque
foi recentemente reaberto ao público sendo, atualmente,
um dos mais formidáveis atrativos naturais das áreas
serranas do sul do Brasil.
O
litoral gaúcho, não difere muito dos demais estados
sulinos, quanto aos problemas de origem antrópica,
podendo-se dizer que são agravados pela fragilidade das
lagunas, em função das características morfológicas.
Entre as atividades mais prejudiciais, estão a pesca
predatória, o despejo de esgotos domésticos, os derrames
de petróleo, as obras de engenharia, a extração de
areia, a drenagem para irrigação e reflorestamento com
espécies exóticas e a poluição industrial.
Porto
Alegre e sua área próxima (Esteio, Canoas, Niterói,
Gravataí, Cachoeirinha, Viamão) constituem a maior área
industrial da Região Sul, com destaque para a polindústria.
As cidades de Caxias do Sul e São Leopoldo, além de
possuir vários gêneros de estabelecimentos industriais,
destacam-se na indústria vinícola. Novo Hamburgo, fruto
da colonização alemã, sobressai na monoindústria de
couros; Pelotas, na indústria de produtos alimentícios;
Rio Grande, na indústria química e alimentar, além de
ser uma das cidades portuárias mais importantes do sul do
Brasil.
POLOS ECOTURÍSTICOS
Paraná:
PARANAGUÁ/GRACIOSA
Tendo com unidade formadora o Complexo Estuarino Lagunar
de Paranguá/Guaraqueçaba e o Parque Estadual do Marumbi,
esse Pólo contempla atividades desde o alto da serra até
os limites externos das ilhas de Superagui e do Mel.
CAMPOS
GERAIS
Situado na zona de transição entre o Primeiro e Segundo
Planalto Paranaense, o Pólo Ecoturístico Campos Gerais
tem como unidades formadoras os Parques Estaduais de Vila
Velha e Guartelá, seu eixo de ligação e as áreas de
entorno.
COSTA
OESTE
Localizado nas fronteiras entre Brasil, Paraguai e
Argentina, o Pólo Ecoturístico Costa Oeste é formado
por parte do Reservatório da Represa de Itaipu e seu
entorno, tendo como vértices os Parques Nacionais de Iguaçú
e o município de Itaipulândia.
Santa
Catarina:
ALTO
VALE DO ITAJAÍ
O Pólo Ecoturístico do Alto Vale do Itajaí está
localizado praticamente no vértice do vale, na confluência
dos rios Itajaí do Norte e Itajaí-Açu. Propicia a prática
de esportes radicais como rafting, rappel, escalada, em várias
cachoeiras e observação em áreas de natureza ainda
preservada.
ILHA
DE SANTA CATARINA
O Pólo Ecoturístico Ilha de Santa Catarina tem como
unidade formadora o alinhamento das Unidades de Conservação
existentes no município de Florianópolis e seu entorno.
É limitado ao sul pelo Parque Estadual Serra do
Tabuleiro, ao norte pela Reserva Biológica do Arvoredo e
a noroeste pela APA de Anhatomirim.
PLANALTO
SERRANO
Os elementos formadores do Pólo Ecoturístico Planalto
Serrano são a região de Lages com suas estruturas
voltadas ao turismo rural, o Parque Nacional de São
Joaquim e as serras adjacentes.
Rio
Grande do Sul:
SERRA
GAÚCHA
O Pólo Ecoturístico Serra Gaúcha compreende a região
desde o complexo turístico Canela/Gramado até os Parques
Nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral.
REGIÃO
CENTRAL
O Pólo Ecoturístico da Região Central está inserido na
área da transição entre os terrenos altos do final da
Serra Geral e as terras baixas e planas do Pampa Gaúcho.
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