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Porto Alegre, RS,  de 2008.


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 Última atualização

janeiro 01, 2008

 
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HISTÓRIA DO RIO GRANDE DO SUL

 

Logo após a decretação do Estado Novo, em dez de novembro de 1937, presenciou-se num estádio do Rio de Janeiro um singular espetáculo propagandístico. O próprio Getúlio Vargas em pessoa, perante uma arquibancada lotada e atenta, imbuída de fervor cívico, presidiu a chamada cerimônia da queima das bandeiras. As flâmulas estaduais eram, uma a uma, incineradas numa grande pira erguida em meio a pista do estádio. Cada pano colorido devorado pelas chamas, que supunham estar a queimar a serviço de uma pátria unida, colhia os aplausos da multidão. Doravante nenhuma parte da federação teria mais a sua bandeira. Apenas a do Brasil imperaria. Só o chefe da nação, o presidente Getúlio Vargas, mandaria. 

Bandeira do Estado do Rio Grande do Sul

Afinal, na prática, também não existia mais a federação, pois cada estado estava em mãos de um interventor e cada município a mando de um intendente.

Por instância dos representantes do Rio Grande do Sul, presentes no espetáculo pírico, encaminhou-se ao ditador o pedido para que a bandeira do nosso estado, a tricolor herança dos farroupilhas, não sofresse o destino das demais. Getúlio Vargas poupou-a. Mas não salvou-se a nossa história regional. Ela foi-se dos livros, banida dos manuais escolares.

Desconhecendo a nossa história: liquidado o Estado Novo em 1945, um jovem estudante do interior do estado, recém-matriculado no Colégio Júlio de Castilhos, resolveu conhecer a cidade. Os nomes das ruas pelas quais passou porém nada lhe diziam. Quem seriam Protásio Alves, Ramiro Barcelos, Barros Cassal, Assis Brasil ou Demétrio Ribeiro? Ou esse tal de João Abott? Osvaldo Aranha ele conhecia, mas Borges de Medeiros e o próprio Júlio de Castilhos nada lhe diziam. Muito menos Carlos Barbosa ou Siqueira Campos. Sentia-se andar por uma cidade cujas placas de ruas e praças abrigavam fantasmas de um mundo nunca sabido.

O Estado Novo suprimira-os da memória. Senão conseguira removê-los das placas, expurgou-os dos manuais escolares. A história do nosso estado, das nossas coisas, do nosso povo, ficou ausente dos bancos colegiais, desconhecida por milhares de jovens que passaram a saber dela pelo "ouvi dizer", ou pela narrativa de um parente idoso qualquer.

A nova reconcentração do poder, a feita pelos militares em 1964, repetiu a dose. Segui-se com eles a época do "Brasil grande", do ufanismo nacionalista. Nada de história rio-grandense, nem de vultos locais.

Esquecendo-se de Castilhos: de certa forma Júlio de Castilhos - "o homem que inventou a ditadura no Brasil", segundo Décio Freitas - caiu no esquecimento dos gaúchos na maior parte do século, vítima de si mesmo, da sua ideologia, por ter inoculado em Getúlio Vargas, seu mais expressivo herdeiro, e nos militares, seus autoritários sucessores em 1964, o seu viés centralista, exclusivista, doutrinário, desprezador das particularidades locais. Mas é com ele, com Júlio de Castilhos, que seguramente começa a história do nosso século XX.

O Rio Grande Castilhista (1891-1930)

O diagnóstico do doutor Protásio Alves foi definitivo. O governador Júlio de Castilhos estava para morrer. Um câncer devorou-lhe a garganta. Sua morte, em 1903, numa mesa de cirurgia improvisada, causou comoção geral. Anos depois o seu sucessor, o doutor Borges de Medeiros, coletou recursos entre o comércio porto-alegrense para erigir-lhe uma imensa estátua, erguida na praça da Matriz, onde o chefe republicano, sentado numa singela cadeira-trono, cercado por toda sorte de ícones positivistas, traz em sua mão a Carta de 1891: a constituição comtista.

Castilhos e Comte: Júlio de Castilhos era o protótipo do homem-idéia, o político que tinha uma filosofia, uma causa, uma missão. Autoritário e culto, duro e visionário, acreditava, inspirado em seu mentor ideológico, o pensador francês Auguste Comte, ter a humanidade chegado na era cientifica, positiva. Para implantá-la, necessitava-se de um Estado forte, coeso - uma ditadura republicana -, que estimulasse as ciências, as engenharias, as matemáticas e tudo o mais que dissesse respeito ao moderno saber, a fim de garantir a chegada do progresso. E assim se fizeram as nossas primeiras faculdades e nossas primeiras escolas profissionalizantes.

Para a gerência futura do novo regime republicano que ele e seu grupo constituíra em 1891, ordenou que se fundasse em 1900 um grande colégio secular movido à energia cívica, a fim de formar a elite política do Estado: o Colégio Júlio de Castilhos.

Desconfiado da democracia, de quem só via o lado baderneiro e anárquico, o jovem prócer confiava o destino da sociedade gaúcha a um reduzido número de sábios luminares, os seus companheiros do aguerrido PRR (Partido Republicano Rio-grandense), gente escolada na luta contra a monarquia, contra a escravidão, e contra o maragatismo, a quem decretaram uma guerra de extermínio entre 1893-95, recomendados por Castilhos num telegrama tristemente famoso a que "ao inimigo não se dá trégua nem quartel!" Eram eles, os próceres republicanos, os novos homens do século que se inaugurava.

A máquina republicana: morto precocemente, o Patriarca, que é como o chamavam, restou a poderosa máquina política do PRR com seus incontáveis chefes, subchefes e chefetes espalhados pelos mais de cem municípios rio-grandenses. Fora-se o ditador, mas a ditadura republicana perduraria até 1928.

Quem herdou-lhe o controle foi o doutor Borges de Medeiros, seco em carnes e em palavras, que encarnava em seu temperamento a frieza das engrenagens partidárias montadas pelo castilhismo e a certeza da doutrina positivista. Sua aparência insípida, de modesto burocrata, inspirou anos depois, a que um dissidente republicano, o dr. Ramiro Barcelos, o comparasse, num mordaz e cruel poema satírico, ao chimango, um desolado e rapineiro pássaro do pampa (ver Antônio Chimango). Porém nos trinta anos que se seguiram (de 1898 a 1928), nenhuma eleição seria perdida por ele. Nada seria deixado à oposição maragata, que ousara em 1893 levar o estado a uma bárbara guerra civil de 12 mil mortos, entre os quais inúmeros degolados.

Enquanto em outros estados da federação recém-implantada em 1891, ex-monarquistas compartilhavam do poder com os minoritários republicanos, o exclusivismo do castilhismo impediu que aqui o mesmo ocorresse. O critério do nosso estado sempre foi o ideológico, não o fisiológico. Aos maragatos, a oposição escorraçada, tratada como inimigo vencido desde 1895, só restou-lhes recorrer às armas quando assim desse. Deu só em 1923. Mesmo assim com pouco resultado, quando a dissidência de Assis Brasil aliou-se com os libertadores do caudilho Honório de Lemos. Os neocastilhistas, liderados por Getúlio Vargas, mais conciliadores com a oposição, assumiram então a direção do governo gaúcho, ao final do último mandato do doutor Borges em 1928.

O castilhismo domina o Brasil: foi por pouco tempo que eles por cá ficaram porque os acontecimentos extraordinários de outubro de 1930 logo os guindaram ao poder central. O castilhismo dali em diante (na forma de um Estado nacional autoritário, constitucionalmente estribado num centralismo uniforme, com enxertos de justiça social saint-simoniana, e com a base social ampliada pelo voto secreto e o voto feminino), levado ao resto do Brasil pela presença getulista, dominaria o país inteiro, concertando os desacertos do liberalismo, desmontado e estonteado pela crise de 1929.

A economia da carne: economicamente, nesse tempo todo, observou-se o enorme esforço do governo gaúcho em dotar-nos de capacidade exportadora. Gradativamente as grandes charqueadas darão lugar em importância aos modernos frigoríficos norte-americanos, o da Swift em Rio Grande, e o da Armour em Livramento, atraídos que foram em 1917 para a fronteira rio-grandense, área das grandes criações de gado. Também travou-se naquela época uma intensa e cara batalha de engenharia contra as bravezas da barra de Rio Grande, para assegurar-lhe o tráfego marítimo, reduzindo-lhe o assoreamento e ampliando-lhe o calado. Por essa época toda, olhando-se assim pelo alto, sem atormentar-se com estatísticas e números, poderia dizer-se que ainda havia um empate entre os dois rio-grandes econômicos: a metade Sul era mais ou menos equivalente à metade Norte. Complementavam-se.

O couro do boi, arrancado na charqueada pelotense, embarcava na Lagoa dos Patos, subindo para o curtume do Rio dos Sinos. O latão com banha de porco da pequena propriedade na colônia alemã, por sua vez, descia rumo ao sul para ir derreter-se na vianda do fronteiriço. Pouca diferença nesse aspecto havia ainda entre Pelotas e Caxias, ou entre Livramento e São Leopoldo.

Em 1938, Getúlio Vargas e sua família quase sucumbiram a um golpe de mão dos fascistas brasileiros, liderado pelo chefe da Ação Integralista, Plínio Salgado. Este acontecimento traumático (foi a primeira vez que um chefe de governo brasileiro foi atacado diretamente num golpe, no qual o Presidente esteve cercado, correndo risco de vida, por várias horas no Palácio da Guanabara no Rio de Janeiro) , teve repercussões enormes na nossa história regional. Sabedor que a embaixada da Alemanha nazista fora informada do putsch integralista e nada fizera para avisá-lo, a ditadura Vargas decidiu-se por uma ação radical que, em 1942 culminaria na declaração de guerra ao Eixo.

A nacionalização das colônias: em boa parte do Sul do país até então, no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, as colonias alemãs e italianas gozavam de inúmeros privilégios étnicos que lhes permitiam manter a língua, a religião e a cultura. As aulas, na maioria das escolas, eram ainda proferidas no seu idioma materno, tendo eles a sua própria imprensa e toda uma gama de clubes privados que lhes garantiam uma identidade e uma independência étnica quase que total. De certa forma continuavam a viver como se as colonias do Sul fosse uma extensão, ainda que pequena, da Alemanha ou da Itália no Novo Mundo.

A ascensão do Fascismo em 1922 e a do Nazismo em 1933, com seu discurso patrioteiro, ufanista e racista, atiçaram nesta parte sul do Brasil algumas ambições separatistas calcadas em argumentos étnicos e raciais: um Brasil-Sul só para brancos, só para caucasianos, dominado pelos ítalo-germanos.

Ambições estas, diga-se, francamente expostas na imprensa (por exemplo, em jornais como o "Vaterland", ou o "Deutsche Turnblätter") e cultivada em suas reuniões em clubes e associações comunitárias ou profissionais. Getúlio Vargas resolveu dar um basta nisto. Todas as antigas zonas de imigração foram por assim dizer nacionalizadas, abrasileiradas por decreto-lei do Estado Novo.

Depois, durante a Segunda Guerra, chegou-se até a proibir que falassem o alemão ou o italiano. O temor que o afã separatista conduzisse a formação de uma quisto nazi-fascista na parte Sul do nosso continente foi tão preocupante que, recentemente, encontraram-se documentos que mostravam a intenção dos Estados Unidos, em caso de guerra declarada, vir a intervir militarmente no Brasil.

A desimportância da política local: enquanto a elite gaúcha, com Vargas, Aranha, Collor, Neves da Fontoura, e tantos outros, desde a Revolução de 1930, enraizava-se no poder, o governo local foi entregue à intervenção do general Flores da Cunha e, depois do rompimento deste com Vargas em 1937, ao general Cordeiro de Farias e, em 1943, ao seu sucessor, o general Ernesto Dornelles (um dos fundadores do PSD gaúcho e mais tarde senador pelo Rio Grande do Sul).

Neste divisor de águas de quinze anos, um estranho processo marcou o Rio Grande do Sul. A ascensão dos seus melhores quadros políticos para a governança nacional esvaziou o estado de bons políticos e também da sua magnitude, tornando-o uma espécie de capitania militar do Estado Novo. Ao empalmar o Brasil com sua liderança, o Rio Grande desinflou-se da sua importância.

 Do Rio Grande Populista ao Rio Grande Autoritário (1945-1985)

Quando os deputados da constituinte de 1947 reuniram-se pela primeira vez em Porto Alegre, além da excentricidade deles proporem um regime parlamentarista exclusivo ao nosso estado, um fato étnico chamou a atenção: o aumento significativo de representantes da área colonial ítalo-alemã. Eram os primeiros sinais daquilo que mais tarde iria acelerar-se.

Alargam-se as diferenças: a metade Sul, de origem luso-açorita, campeira, pastoril, da fazenda, do peão "pêlo-duro", e do estanciero de voz grossa, mandona, estiolava-se, dando lugar em importância à metade Norte, povoada pelos descendentes dos imigrantes com suas pequenas e médias urbes coloniais, dominadas pela propriedade familiar, pelo artesanato e pelo industrial diligente, de fala rústica, com um sotaque de alemão ou de italiano abrasileirado.

Desde 1945, conquistada a democracia, Porto Alegre, como uma espécie de zona neutra a ser ganha, será o palco da disputa entre as duas metades do Rio Grande. A isso somou-se a emergência do proletariado urbano, grevista, lutador. O progresso industrial e comercial do estado, a anterior presença de Vargas no poder central(com sua política de proteção ao trabalhador), e a emergência da social-democracia ao poder na Europa atiçaram as lutas sociais.

O trabalhismo e seus adversários: um relativamente bem organizado movimento trabalhista, com doutrina, liderança, partido e bandeira, ideologicamente embalado pelo getulismo e pelo laborismo inglês, emergiu para a conquista do do poder. Do outro lado, o conservadorismo iria alinhar-se, com a benção da Igreja Católica, numa amplíssima frente social que ia do colono pequeno proprietário temente a Deus, ao grande proprietário de terras avesso ao discurso de justiça social.

Grandes embates eleitorais deram-se entre ambos, entre trabalhistas e conservadores, em 1950, em 1954, em 1958 e, finalmente, o último da república populista, ocorrido em 1962, quando os conservadores, capitaneados pelo insosso Ildo Meneghetti, a personificação do anticaudilho, alijaram um brizolismo dividido do poder.

As camadas geológicas: nesta espécie de camadas geológicas das lutas gaúchas: a geográfica, travada entre a metade Sul e a metade Norte; a sócio-política envolvendo trabalhistas e conservadores; mais uma outra deve-se mencionar: a que girava ao redor da funções do Estado, separando o Rio Grande entre os intervencionistas e os não-intervencionistas.

Neste sentido o governo do polêmico governador Leonel Brizola (1958-1962) foi emblemático. Nacionalizações e estatizações, acompanhadas de volumosos investimentos em educação pública, eletrificação, transporte e demais itens da infra-estrutura, formaram naquele final de década um claro contraponto à política jucelinista, calcada na atração de capital externo, voltado para os bens de consumo (particularmente a indústria automobilística, instalada em São Paulo).

E será justamente a instalação do polo automotivo em São Paulo, e tudo o mais que o acompanhou, que acentuará a diferença entre os dois rio grandes econômicos. Como que atraída por um poderoso imã, a metade Norte, que já desenvolvera e adquirira uma certa tradição fabril, especialmente no eixo que vai de Caxias do Sul a Bento Gonçalves, passando por Farroupilha, ligou-se à pujança de São Paulo.

Da Serra a São Paulo: não demorou para que para lá enviasse carroçarias, auto-peças e demais complementos para suprir aquele imenso parque que parecia não ter mais limite nem fim. Centenas de fábricas modernas proliferaram pela região da Serra gaúcha para alimentar o gigante de Piratininga. No Vale dos Sinos, entrementes, em Novo Hamburgo, São Leopoldo e arredores, as indústrias de calçados e de couros conseguiram abrir os mercados internacionais aos seus manufaturados.

Evidentemente que a maior parte dos investimentos estatais desde então fluíram na sua direção, e outros tantos subiram a Serra. Ao longo dos mais de vinte anos que se seguiram sob o regime militar (1964-1985), o prestígio da antiga área colonial só aumentou, enquanto a Grande Porto Alegre e a metade Norte, perfazendo quase 80% do produto interno bruto, aliavam-se na recepção dos grandes pacotes federais que para cá vieram (Refinaria Alberto Pasqualini em Canoas e Polo Petroquímico de Triunfo) ao qual adicionou-se o erguimento de pontes, de viadutos, e a construção de que excelentes estradas.

Durante ao longo dos vinte anos de regime militar, o Rio Grande do Sul voltou a perder sua autonomia política como nos tempos do Estado Novo. Só que de forma diversa. Os vários procônsules do regime militar que aqui assumiram a governadoria (coronel Peracchi Barcelos, Euclides Triches, Sinval Guazelli e Amaral de Souza) o fizeram com respaldo parcial do poder legislativo, dominado pela coligação conservadora formada pelo PSD, UDN e PL, agrupados na sigla da Arena (Aliança Renovadora Nacional).

Da chaminé ao Laçador: no século encerrado, observou-se uma curiosa alternância de símbolos. Até os anos 60 o objeto visual mais marcante da capital do estado, e presente em todos os cartões postais que a identificavam, era o chaminé da Usina do Gasômetro (concluída em 1937) , pela simples razão dela ser a primeira avistada de quem vinha da metade Sul, fosse pela Lagoa dos Patos ou pela barca que fazia a travessia do Rio Guaíba.

Encerrado aquele decênio, foi a vez da estátua do Laçador assumir sua importância e deslocá-la, a chaminé, dos cartões postais e do imaginário local. Situada na parte Norte da capital, na rótula da entrada da Avenida Farrapos, praticamente à saída do aeroporto Salgado Fº, ela, inspirada no tradicionalista Paixão Côrtes, se encontra à vista dos que aqui chegam vindos da metade Norte, ou do resto do país. Entre esses dois símbolos sintetizou-se, mas as avessas, boa parte da nossa história econômica e social deste século. Se a metade Sul encolheu-se perante a magnitude da metade Norte, fazendo com que a proeminência do boi desse lugar à máquina, a espora recolhia-se frente ao óleo e a ferramenta, se a Serra ensombrava o pampa, no jogo simbólico porém, o Laçador, o homem do gado, substituiu a chaminé, o ícone da Indústria!

 Enfrentamentos Políticos, Ideológicos e Partidários no RGS

Datas

Acontecimentos

1835-45

Revolução Farroupilha

Farrapos
(republicanos, separatistas)
Líder: Bento Gonçalvez

X

Imperiais
(monarquistas, centralistas)
Governo da Regência

1846- 89

Bipartidarismo

Monarquistas liberais (maior autonomia da província)
Líder: Gaspar Silveira Martins

X

Monarquistas conservadores
(a favor da centralização da corte)

1893-95

Revolução Federalista

Republicanos (pica-paus)
(ditadura positivista, aliados ao presidencialismo)
Líder: Júlio de Castilhos

X

Federalistas(maragatos)
(ex-monarquistas, parlamentaristas)
Líder: Gaspar Silveira Martins

1923

Revolução de 1923

Borgistas (Chimangos)
(continuidade da ditadura)
Líder: Borges de Medeiros

X

Assisistas (Maragatos)
(fim do continuismo borgista)
Líder: Assis Brasil

1945-64

Enfrentamento ideológico-partidário

Trabalhistas
(campanha trabalhista pró-getulista), PTB
Líder: Alberto Pasqualini / Leonel Brizola

X

Conservadores
(antitrabalhistas), UDN, PL
Líder: Ildo Meneghetti

1964-85

Pemedebistas (contra o regime militar)
Líder: Pedro Simon

X

Arenistas
(sustentação civil do regime)
Líder: diversos

Projeção para o Século XXI

A restauração da democracia em 1985, com o fim do regime militar, fez com que o Rio Grande do Sul recuperasse a plenitude da independência política. Todos os processos anteriores de intervencionismo (escolha por indicação do prefeitos de cidade de porte médio e grande, e eleição dos governadores por intermédio de assembléias depuradas), foram finalmente removidos e restaurou-se - confirmado pela constituição de 1988 -, a eleição direta para todos os cargos executivos e legislativos. É de se esperar pois que esta conquista não seja abalada no futuro.

Os limites da previsão: o exercício porém de uma visão prospectiva em História - isto é tentar prever o que poderá ocorrer no futuro - merece certos reparos. A História é uma certa sabedoria que se adquire, ainda que com recursos científicos, sobre as coisas que já ocorreram, pelo que de há muito passou. Assim, ao imaginar-se sondar o devir a partir dela faz com que possa incorrer-se num inócuo exercício de futurologia, não muito distante de uma profecia.

Ressalvo feito, nada impede o historiador alçar-se ao exercício de algumas projeções - sem, evidentemente, recorrer à bola de cristal ou à consulta astrológica - sobre os anos vindouros. O filósofo Hegel disse certa vez que a Filosofia, como a História, não previa o futuro mas pelo menos tinha condições de encontrar no presente alguns sinais, alguns sintomas do devir.

Metade Sul e metade Norte: um dos mais evidentes sinais indica que a metade Sul, dominada pela grande propriedade em mãos de umas 500 famílias, continuará sendo a mais ameaçada de vir a petrificar-se, de consumir-se numa estagnação. Tal como a mulher de Ló, ao olhar para traz, aferrando-se aos privilégios do latifúndio e ao escasso dinamismo produtivo que invariavelmente o acompanha, arrisca a esterilizar-se como uma estátua de sal. A metade Norte, por sua vez, continuará a se distinguir por sua prosperidade e pelo seu acelerado industrialismo. Se nada se fizer, o que hoje separa ambas metades irá converter-se num abismo nos decênios que nos aguardam.

As polarizações partidárias: no campo da política, verifica-se que a secular polarização que, em outros tempos, opôs republicanos e maragatos (1891-1930), trabalhistas e conservadores (1945-1964) , emedebistas e arenistas (1964-1985), passou, nos últimos anos, por um aggiornamento, tornando-se um enfrentamento entre petistas e centristas (a partir de 1998). A carga ideológica que hoje move o petismo, com seu reiterado sentimento socialista, ainda que difuso e confuso, provavelmente irá com o tempo dissolver-se em formas mais atenuadas de pragmatismo político.

Globalização e localismo: por outro lado, interessa registrar os possíveis efeitos políticos mais amplos provocados pela globalização, que seguramente irá continuar, ainda que aos trambolhões, seu processo de integração econômico e cultural de maneira cada vez mais acelerada. Se é evidente o declínio gradativo da importância do Estado-nacional no mundo todo, o que sobrará para o que é apenas uma parcela dele? Que destino poderá almejar no século adentrante um governo regional, quando se cogita formar em breve um parlamento latino-americano, e até um governo mundial? Neste aspecto, os futuros governantes gaúchos seguramente decidirão sobre coisas cada vez menos importantes.

Paradoxalmente, ao mesmo tempo que esse movimento ocorre, retirando, esvaziando, reduzindo, a face mais visível do poder, a da parte de cima, a representada pelo que já se chamou de "Estado espetáculo"(a composta pelo governador, pelos prefeitos, assembléias e câmaras), irá, por outro lado, multiplicar a importância das de baixo, das representações cidadãs no sentido mais amplo do termo.

É todo um imenso, diverso, e ainda imerso, mundo de associações, agrupações, movimentos de moradores, ativistas de bairros e demais instituições, que tem brotado espontaneamente numa sociedade em avançado processo de democratização. Eles é que irão adquirir cada vez mais proeminência e poder decisório sobre a coisas coletivas, envolvendo a sociedade como um todo.

População e educação: é , porém, no campo educacional e cultural que evidentemente depositamos nossa maior esperança e otimismo. É onde, acredito, trafegaremos com maior segurança. No início do século XX, em 1900, nossa população atingia um milhão e 150 mil habitantes, um pouco mais do que 1/10 da de hoje, sendo que 70% deles eram analfabetos. Cem anos depois, na entrada do milênio, chegamos a quase dez milhões de habitantes, com 92% deles alfabetizados! Enquanto Porto Alegre, que o doutor Borges chegou a chamar de "cidade-aldeia", na virada do século passado para este, mal alcançava os 80 mil habitantes, agora tem mais de dois milhões de habitantes (incluída a Grande Porto Alegre), com excelentes índices de escolaridade. Em apenas um século praticamente erradicamos a agrafia!

Além disso, se hoje temos uma massa estudantil de mais de um milhão e 200 mil matriculados, contamos ainda com uns 300 mil profissionais ligados à educação e à cultura.

A cultura e padrão de vida: em número redondos e absolutos pode-se dizer que 20% dos gaúchos estão permanentemente envolvidos com o aprendizado e a cultura. As feiras de livros se multiplicam por inúmeros municípios, enquanto que faculdades e universidades espalham-se por todas as zonas geográficas do estado, que ainda abriga um dos maiores encontros voltados para o livro e a cultura do mundo inteiro: a Jornada Literária de Passo Fundo. O Rio Grande do Sul provavelmente irá continuar sendo, no século adentrante, o que mais oportunidades educacionais e culturais oferece aos seus cidadãos, mantendo um dos mais elevados padrões de vida do Brasil. O nosso IDH (índice de desenvolvimento humano) e a qualidade da nossa cidadania, seguramente irá irmanar-se a dos europeus e continuará sendo bem melhor do que a dos gregos, dos turcos, dos italianos do sul, dos portugueses do Minho e da maior parte dos espanhóis, especialmente os da Andaluzia.

A média da nossa população universitária seguramente continuará a ser uma das mais elevadas da América do Sul e, provavelmente, superior a de muitos estado sulistas dos Estados Unidos.

No final de 2100: assim, nada nos impede de imaginar que em 2100 - nós que em 1900 inauguramos o século XX sob a tutela da ditadura republicana e o encerramos em plena democracia - , nossos descendentes estarão vivendo num Rio Grande do Sul extremamente próspero, superior a boa parte das regiões européias. Provavelmente nossa política partidária será bem menos conflituosa, resultado da maior homogeneidade entre as classes sociais, produto da atenuação das diferenças sociais e culturais que irão ocorrer no transcorrer do século XXI. Um estado que poderá abrigar o dobro e até o triplo da população atual sem que isso implique em dilacerações sociais ou em lutas radicais.

A escola da política: Péricles, o estadista ateniense, num celebrado discurso reproduzido por Tucídides, enalteceu a sua cidade considerando-a como a "escola da Hélade", por ela e suas instituições democráticas servirem de exemplo aos demais gregos. O Rio Grande do Sul pode também orgulhar-se de ter sido neste século a escola da política do Brasil. Daqui saíram estadistas do porte de Getúlio Vargas e revolucionários com Luis Carlos Prestes, que, independentemente das inclinações ideológicas que abraçaram, ensinaram poder-se fazer política com "P" maiúsculo, sem ser deixarem-se tentar por Mamon, maculando-se com o dinheiro suspeito.

Espera-se pois que para o milênio adentrante o forte elo que sempre ligou a Ética com a Política entre os rio-grandenses, e que tem sido o nosso maior atributo, mantenha-se inquebrantável, e que além de referencial obrigatório, seja sempre o maior legado dos gaúchos à vida política do Brasil.

Ocupação e Povoamento do Rio Grande do Sul (XVII-XIX)

A história da ocupação e do povoamento do Continente de São Pedro do Rio Grande do Sul está demarcada pela questão fronteiriça. Região limite entre dois impérios: o espanhol, com sede em Buenos Aires no Rio da Prata, e o português, tendo o Rio de Janeiro como cidade-trampolim. Pelo Tratado de Tordesilhas de 1493, a linha que separava os dois reinos católicos passava, na sua extensão meridional, ao largo do litoral do atual estado de Santa Catarina.

Teoricamente a região que viria fazer parte do Rio Grande do Sul pertencia pois aos espanhóis. Portugal, por sua vez, sempre procurou estabelecer como sua real fronteira, como limite extremo do seu Império na América do Sul, não uma linha abstrata, mas sim a margem esquerda do Rio da Prata. Todos os conflitos entre o Brasil e seus vizinhos do Prata foram decorrentes dessas duas visões antagônicos sobre quais eram os marcos verdadeiros que os separavam.

Uma Fronteira Quente

O Rio Grande do Sul foi desde os seus começos - ao contrário dos demais estados brasileiros - uma "fronteira quente", isto é, local de disputa militar, de guerras e de arranjos diplomáticos, área conflituosa que se estendeu dos finais do século XVII até o século XIX, quer dizer, por quase dois séculos. Situação que começa somente recentemente a se inverter graças ao Mercosul, que tem por objetivo a integração econômica e não mais a rivalidade política.

Missões

Acredita-se que os padres da Companhia de Jesus tenham atravessado o rio Uruguai por volta de 1626, sendo que o pe. Roque Gonzales foi martirizado em 1628. Na sua ocupação, adotaram a alternância da cultura do erva-mate com a pecuária para harmonizar-se com os hábitos sedentários e nômades dos guaranis. Em 1637, o bandeirante Raposo Tavares destruiu as reduções situadas entre os rios Taquari e Caí, fazendo os jesuítas refluírem para as margens do Uruguai. A partir de então, o gado, sem interesse para os bandeirantes predadores e apreadores de índios, esparramou-se, tornando-se gado "chimarrão", selvagem, formando as Vacarias do Mar e as Vacarias dos Pinhais. O verdadeiro apogeu das Missões ocorre entre 1720-56, quando se estruturam os 7 Povos das Missões (S. Nicolau, S. Ângelo, S.Luiz, S. Lourenço, S.João Velho, S.Miguel, S. Borja), até sua destruição durante as Guerras Guaraníticas, iniciadas pela expedição luso-espanhola de 1756, tendo no cacique Sepé Tiaraju o seu principal defensor. A "época de ouro" das missões foi possível porque os bandeirantes tornaram-se garimpeiros nas Minas Gerais, e depois, tropeiros e criadores de gado bovino e muar, deixando de as importunar com suas expedições de caça ao índio. As Missões passam ao controle português pelo Tratado de Madri, de 1750, mas efetivamente a região missioneira só é ocupada em 1801.

Autoridades Portuguesas

Com a fundação da cidade de Colônia do Sacramento nas margens do Rio da Prata, em frente a Buenos Aires, em 1680, tem início uma rivalidade de século e meio entre o Império português e o espanhol pela posse da embocadura e pelas margens do Rio da Prata. Conflito, permeado por guerras e tratados, que se prolongará, inclusive após a independência da Argentina e do Brasil, até 1828, com o reconhecimento da autonomia da República do Uruguai. Para melhor poder apoiar a sua base de colônia, nas margens orientais do Rio da Prata os lusos, comandados pelo brigadeiro Silva Paes, fundaram Rio Grande, em 1737. E para afirmar sua presença definitiva, distribuíram estâncias entre os oficiais portugueses que davam baixa, ao largo da linha que partia de Rio Grande até as barrancas do Rio Uruguai.

Açorianos

Dando seguimento à ocupação por meio de colonização, os lusos trouxeram em seguida das ilhas dos Açores os "casais de número", que receberam terras na região da Lagoa dos Patos, rios Guaíba e Jacuí, povoando Porto Alegre, Triunfo e Cachoeira. Inicialmente os açorianos se dedicaram a agricultura (triticultura), mas abandonaram-na em 1820 para voltar-se para a pecuária, aproveitando-se do crescimento da indústria do charque, implantada por volta de 1780 ao redor de Pelotas e depois Santo Amaro e Triunfo. A data de 1756 assinala a fundação de Porto Alegre como vila. Com a invasão castelhana de 1763, a capital deixa de ser Rio Grande, que ficou 13 anos nas mãos deles, mudando-se para Viamão e depois, definitivamente, para Porto Alegre. Com a expansão das charqueadas ocorre a importação de mão-de-obra escrava, fortemente concentrada na área de Pelotas, espalhando-se depois pelo interior.

Alemães

Chegam a partir de 1824 e são instalados na antiga Feitoria do Linho Cânhamo, nas beiras do Rrio dos Sinos. Alguns foram trazidos como mercenários para lutar na Guerra Cisplatina, mas a maioria era composta de lavradores que receberam pequenos lotes de terras em "linhas" e "picadas" ao longo do Vale dos Sinos e na encosta da Serra. Praticam a chamada "economia colonial", o artesanato e a pequena indústria, tendo em Porto Alegre seu principal mercado. Era-lhes vedado ter escravos.

Italianos

Para os italianos, que chegam em 1875, são reservadas as terras menos acessíveis dos altos da Serra, tendo como núcleo de povoamento os "fundos de Nova Palmira". Assentam-se em Conde d'Eu e d. Isabel. Dedicam-se à extração de madeira, a vitivinicultura e ao artesanato. Seu impressionante crescimento demográfico nesse século faz com que se desloquem para as regiões centrais e orientais do estado.

Atividades econômicas

As missões jesuítas e logo em seguida a formação das estâncias de lagunenses e vicentinos (paulistas que se deslocavam do Norte), foram responsáveis pela introdução da pecuária no RGS. A estância correspondeu ao abandono das atividades predadoras feitas por gente selvagem do campo que abatia indiscriminadamente os animais apenas para extrair-lhes o couro e vendê-lo aos contrabandistas. A agricultura nesses primeiros tempos confinava-se ao plantio da erva-mate.

Com a descoberta das lavras de ouro e de diamante em Minas Gerais e o elevado preço que os alimentos passaram a alcançar nas regiões de garimpo tornou-se a pecuária uma atividade altamente rentável. Com as minas formou-se o primeiro grande mercado interno brasileiro ao qual o RGS irá se atrelar, sendo essa uma das razões econômicas da tensão entre o separatismo e o nacionalismo, vigentes até hoje no nosso estado. Nos finais do século XVIII, com a implantação das charqueadas, um mercado bem mais vasto se abriu. Não se exportava mais apenas gado em pé (bovino e muar) como antes. Era possível, doravante, ambicionar atingir, além do Centro e do Nordeste do Brasil, até os mercados do Caribe e dos estados sulistas dos EUA, porque o charque era a alimentação básica dos escravos. A comida dos escravos, por sua vez, era paga com... escravos. A chegada de levas de africanos ao RGS foi resultado da expansão da indústria das carnes manufaturadas e salgadas, que se espalharam por Pelotas e beiras da Lagoa dos Patos e o Jacuí.

Com a vinda dos açoritas, a partir de 1752, a agricultura tomou um novo impulso com as plantações de trigo ao redor de Rio Grande, expandindo-se para outras áreas de colonização açoriana, até ser destruída pela praga da ferrugem por volta de 1820 e pela ausência de apoio governamental. Os açorianos tornaram-se então basicamente pecuaristas e charqueadores. Uma agricultura e uma criação mais diversificada (suínos e aves) só chegará com a formação das colônias alemãs e italianas, entre 1824 e 1875, bem como são elas que trazem técnicas industriais que permitem lançar os fundamentos da pequena indústria do curtume, da metalurgia e da vitivinicultura. A pecuária toma novo impulso com a criação dos frigoríficos estrangeiros, da Armour e da Swift, em 1917, tornando possível exportar carnes enlatadas e refrigeradas para o Centro do País. O sucesso da chamada "economia colonial" deve-se à farta distribuição de terras feitas entre os colonos, formando não apenas um dinâmico centro produtivo policultural como também tornou-se um crescente mercado consumidor.

Cronologia

1626 - Primeiras reduções jesuítas no Rio Uruguai.

1637 - Destruição das reduções pelo bandeirante Raposo Tavares.


1680 -
Fundação por Manoel Lobo da Colônia do Sacramento, na margem esquerda do Prata, em frente a Buenos Aires.

1737 -
Fundação de Rio Grande pelo brig. Silva Paes.

1750 -
Tratado de Madri, Colônia do Sacramento é trocada pelas Missões.

1752 -
Chegada dos açoritas. P.Alegre, fundada em 1756, torna-se com a invasão castelhana.

1756 - Início das Guerras Guaraníticas, destruição das missões. Fim da "época de ouro" das Missões (1720-56).

1776/7 -
Recuperação de Rio Grande. Colônia do Sacramento fica em posse definitiva dos espanhóis.

1824 -
Colonização alemã do Vale dos Sinos.

1875 -
Colonização italiana do alto da Serra.

 Bibliografia

Boeira, Nelson e outros

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RS: Cultura & Ideologia,
Editora Mercado Aberto, Porto Alegre, 1980

Dulles, J. Foster

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Getúlio Vargas: biografia política,
Editora Rennes, São Paulo, 1976

Franco, Sérgio da Costa

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Júlio de Castilhos e sua época,
Editora Globo, Porto Alegre

Félix, Loiva Otero 

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Coronelismo, borgismo e cooptação política,
Editora da Universidade/RS, Porto Alegre,1987

Freitas, Décio

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O homem que inventou a ditadura no Brasil,
Editora Sulina. Porto Alegre, 1999

Gertz, René

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O fascismo no sul do Brasil,
Editora Mercado Aberto, Porto Alegre, 1987

Love, Joseph

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O regionalismo gaúcho e as origens da revolução de 1930,
Editora Perspectiva, São Paulo, 1975

Müller, Carlos Alves

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A história econômica do Rio Grande do Sul,
Banrisul, Porto Alegre, 1998

Pesavento, Sandra

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República Velha gaúcha,
Editora Movimento, Porto Alegre, 1980

Trindade, Hélgio

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O Integralismo,
Difel, São Paulo, 1974

 

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