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PERSONALIDADES
NA HISTÓRIA DO SUL
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Nesta
página você encontrará pessoas que participaram
diretamente na história dos estados da região sul do
Brasil.
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ANITA
GARIBALDI
- HEROÍNA NO AMOR, NA GUERRA E NA FAMÍLIA
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Aos dezoito anos, Ana
Maria de Jesus Ribeiro passa a ser Anita Garibaldi e
escreve definitivamente uma nova página na história da
Revolução farroupilha, a partir de agosto de 1839,
quando deixou o marido, assumiu sua paixão e embarcou no
navio comandado por Giuseppe Garibaldi, "o herói de
dois mundos".
O
primeiro encontro entre Aninha e Giuseppe Garibaldi pode
ter acontecido de várias formas, segundo as diferentes
versões. Garibaldi diz nas "Memórias", que
estava a bordo de uma embarcação, na Barra de Laguna,
desanimado, solitário, pensando nos amigos que perdera no
naufrágio em Campo Bom, carecendo de "uma presença
feminina". Foi quando dirigiu o "olhar à
ribeira", onde no morro da Barra pôde ver "as
belas jovens ocupadas nos seus diversos afazeres
domésticos. Uma delas atraía-me mais especialmente que
as outras..."
Garibaldi
desembarcou e caminhou na direção da casa "sobre a
qual havia já algum tempo fixara-se toda a minha
atenção". O coração "disparava",
encerrando "uma dessas resoluções que jamais
esmorecem. Um homem (eu já o avistara) convidou-me a
entrar".
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Deparou-se então com Aninha e pronunciou a famosa
frase: "Virgem criatura, tu serás minha!" O
próprio Alexandre Dumas, a quem Giuseppe ditou anos mais
tarde as "Memórias", anotou que "esta
passagem é intencionalmente coberta pelo véu de um
enigma".
Virgílio Várzea, em
texto de 1919, diz que do tombadilho do navio, na Barra,
"chamou-lhe vivamente a atenção uma moça alta que,
à porta de uma choupana, parecia aflita e a chorar.
Preocupado com o que teria sucedido à pobre criatura,
mandou guarnecer um escaler e largou para a praia. Aí
chegando dirigiu-se à moça, perguntou-lhe o que tinha.
Ela explicou-lhe, por entre lágrimas, que estava com o
marido de cama e muito mal das febres", assinala.
Por causa disso,
Garibaldi "propôs-lhe levar o esposo a tratar-se no
hospital de sangue que os republicanos tinham estabelecido
na Laguna. Aceitou, mas sob condição de acompanhar ela
ao doente, o que foi deferido", sendo Manoel
transportado. "No hospital transformou-se a moça na
melhor das enfermeiras, não só ocupando-se
carinhosamente do marido como dos numerosos feridos dos últimos
combates que aí se achavam em tratamento. Enquanto dias
depois o esposo falecia. Embora esmagada por esse golpe,
ela continuou a desvelar-se pelos demais enfermos com
admiração e alegria geral de todos."
Nas manhãs seguintes,
alegando visita a "seus marinheiros feridos",
Garibaldi demorava-se "longo tempo a conversar com a
enfermeira, a quem, sem saber como nem porque, se sentia
preso de grande simpatia desde o primeiro momento em que a
viu. Ela, a seu turno, experimentava o mesmo sentimento
por ele. Era o começo de uma grande e mútua paixão".
A terceira possibilidade
é levantada por Saul Ulysséa. "Conta a tradição
que Garibaldi com ela se encontrara no lugar
Figueirinha", onde funcionou durante muitos anos o Fórum
de Laguna, próximo do Hospital de Caridade. "Existia
naquele local muitas fontes de lavagem de roupa, não
sendo de duvidar que Anita ali estivesse para a lavagem de
sua roupa e de sua mãe." Todas essas versões, com
derivações e mesmo fusões entre elas, alimentam
permanentemente o mito, fornecendo matéria-prima a
projetos de ficção (artes) e de resgate histórico da
personagem.
Anita tinha apenas 18
anos quando participou do primeiro combate. Ela e
Garibaldi deixaram Laguna no dia 20 de setembro de 1839,
numa viagem que seria a de sua lua-de-mel. Com uma frota
de três embarcações, seguiram até a altura de Santos
(SP), onde investiram contra uma corveta imperial,
passando na seqüência a ser perseguidos por uma
esquadra. De volta ao Sul, buscaram abrigo nas enseadas
que recortam o litoral catarinense, onde encontram duas
sumacas carregadas de arroz, que foram capturadas.
Na altura da Ilha de
Santa Catarina travam combate com os ocupantes do navio
imperial Andorinha. Uma forte ventania causa a perda de
uma das embarcações rebeldes, a Caçapava, restando o
Seival e o Rio Pardo, com os quais penetram na enseada de
Imbituba, onde Giuseppe organiza a defesa. O Seival é
deixado na praia e seu canhão colocado sobre uma elevação,
sob os cuidados do artilheiro Manuel Rodrigues. Na ocasião,
Garibaldi tenta convencer Anita a desembarcar, mas ela
resiste e não aceita. Quer ficar ao lado dele, não
importa o que aconteça.
A batalha começou no
amanhecer do dia 4 de novembro de 1839. "O inimigo,
favorecido em sua manobra pelo vento", avança
"em bordejos e torpedeando-nos com ferocidade",
recorda Giuseppe, a bordo do Rio Pardo. "De nossa
parte, combatíamos com a mais obstinada determinação,
atacando de uma distância suficientemente curta para que
pudéssemos nos valer das carabinas. O fogo, de ambas as
partes, era dos mais assoladores", complementa.
Começaram a se acumular
"cadáveres e corpos mutilados", cobrindo a
ponte da escuna crivada de balas e com a mastreação
avariada. "Estávamos determinados a resistir, sem
rendição, até que o último de nós tombasse",
amparados "pela imagem da amazona brasileira que tínhamos
a bordo", armada com uma carabina, engajada no
combate. Seguiram-se cinco horas de muita tensão, gritos
desesperados, disparos e estrondos de canhões, até que
os imperiais bateram em retirada, com um comandante
baleado.
Henrique Boiteux não
economiza adjetivos ao descrever Anita, "de carabina
em punho, impávida ao fogo, desprezando a morte,
batendo-se como o mais valente, emprestando valor àqueles
que desfaleciam, animada com as faces rubras, olhar em
chamas e cabelos soltos ao vento, percorrendo a bateria em
uma atividade febril, excitando a todos na defesa do
estandarte, símbolo do ideal pelo qual se batiam". A
cena foi cantada em verso e prosa, servindo de inspiração
para os artistas do lápis e do pincel, reproduzida nas
capas de vários livros e publicações. Foi o batismo de
fogo de Anita.
Nas "Memórias"
que ditou a Alexandre Dumas, Garibaldi destacou o episódio.
Enquanto "da ponte da escuna e com o sabre em punho,
Anita encorajava os nossos homens, um petardo de canhão a
derrubou, juntamente com dois dos nossos combatentes.
Saltei sobre o seu posto, tomado pelo temor de nada mais
encontrar além de um cadáver. Ela, porém, reergueu-se sã
e salva. Os dois homens estavam mortos. Roguei-lhe então
que descesse até o porão. 'Sim, irei mesmo até lá -
disse-me ela -, mas para tirar de lá os poltrões que
nele se esconderam.' Ela desceu e logo voltou, empurrando
à sua frente dois ou três marujos, pejados por terem-se
mostrado menos valentes que uma mulher".
Anita viveu três
momentos distintos no combate ocorrido na Barra de Laguna,
iniciado por volta do meio-dia de 15 de novembro de 1839,
quando foi derrotada a experiência da República
Catarinense. O comando da defesa ficou sob
responsabilidade de Garibaldi, que posicionou seus navios
num semi-círculo, dispondo uma linha de 300 atiradores em
terra e seis canhões no Fortim do Atalaia, pelo lado Sul
e na época bem próximo do canal. Ainda não havia o
molhe de pedras, construído nas primeiras décadas deste
século, nem o aterro. Cerca de 1,2 mil homens da
infantaria rebelde estabeleceram-se nas margens do canal,
aguardando o ataque legal.
A bordo do Itaparica,
Anita pôde observar a chegada das forças adversárias,
sob o comando do capitão-de-mar-de-guerra Frederico
Mariath, compostas por 13 navios, com 300 praças de
guarnição, 600 de abordagem e 33 bocas de fogo. Enquanto
Garibaldi observava de uma colina o movimento da esquadra
legal, Anita apontou o canhão e disparou o primeiro tiro,
seguindo-se uma terrível batalha.
O segundo momento de
Anita começa quando Garibaldi ordena que ela vá pedir
reforços ao general Canabarro, estacionado nas imediações
do Farol de Santa Marta. Anita cumpre a missão e retorna
com ordens do comandante rebelde para retirar-se do
combate e salvar armamentos e munições. Contrariado, já
que pretendia incendiar a esquadra imperial, Garibaldi
inicia a retirada, encarregando Anita de transportar os
primeiros pertences, pretendendo com isso que ela ficasse
a salvo no outro lado.
Mas ela voltou para o
centro dos combates, dando continuidade a seu terceiro
momento. Ela carregou o bote com armas e munições e o
conduziu para o campo da Barra, gesto que repetiu cerca de
20 vezes seguidas, dando origem a diversas narrativas.
Enquanto executava a missão, cruzava "sob o fogo
inimigo dentro de uma pequena barca com dois remadores,
dois pobres-diabos que se curvavam o quanto podiam para
evitar balas e bombas. Ela, porém, de pé sobre a popa,
no encruzamento dos tiros, surgia, ereta, calma e
altaneira como uma estátua de Palas, recoberta pela
sombra da mão que Deus naquelas horas pousava sobre
mim", escreveu Garibaldi. Palas, ou Minerva, foi a
deusa mitológica das artes e da sabedoria.
As forças estavam
"separadas na distância máxima de quatro braças",
ou quase oito metros, segundo Boiteux, ocasionando
"uma tempestade de balas, de fuzilaria e de metralha,
enchendo os navios de ambos os partidos de ruína e de
sangue". Boiteux refere-se a um "turbilhão de
fumo e fogo". A "medonha e homérica luta só se
atendia à precisão dos tiros, pois o crepitar da
fuzilaria e ribombar dos canhões na sua afanosa missão
destruidora abafava os gritos de dor dos mutilados, as
imprecações raivosas dos atingidos, as vozes de manobras
dos comandantes e oficiais pelejando estes mesmos com
carabinas e pistolas", assinala o historiador
catarinense.
O depoimento do capitão-de-fragata
J. E. Garcez Palha resume bem o cenário vivido por Anita.
"Foi mais do que um combate, foi um turbilhão. Os
navios avançaram com velocidade regular através de uma
tempestade de balas, de fuzilaria e de metralha. Ao
estampido incessante das armas misturavam-se os gritos
dilaceradores dos feridos e moribundos, o sibilar do vento
através do aparelho dos navios, o quebrar violento das
vagas de encontro ao costado, e a voz dos comandantes e
oficiais que animavam os marinheiros, pelejando eles
mesmos com carabinas e pistolas."
Na ordem do dia onde
narrou a batalha, Mariath informou a existência de 17
mortos e 38 feridos legalistas. Em 1860, em artigo
assinado no jornal "Correio Mercantil", o
militar corrigiu os números anteriores, falando em 51
mortos e 12 feridos. Não existe nenhuma estimativa do número
de farroupilhas mortos no Combate da Barra. Outro ponto
interessante que destaca a coragem de Anita é o fato de
ela ter conseguido fugir da prisão, após o combate de
Curitibanos, em dezembro de 1839, ficando durante oito
dias, escondida no mato, reencontrado-se com seu marido -
Giuseppe Garibaldi - já na cidade de Lages.
Indubitavelmente, a
coragem da guerreira é redesenhada pela força da
maternidade: em setembro de 1840, a guerreira mãe, por
ocasião de um ataque em são Luis das Mostardas,
conseguiu fugir, a cavalo, apenas de camisola, levando nos
braços seu filho de doze dias.
Após a derrota dos
Farrapos em Santa Catarina, Anita e Garibaldi fugiram para
o Uruguai, atravessando o Rio Grande do Sul em cinqüenta
dias, conduzindo uma tropa de novecentas reses. Naquele país
Garibaldi foi convidado pelo governo para combater tropas
argentinas chefiadas por Rosas, sobre quem teve vitórias
que o tornaram reconhecido na Europa. Nesse tempo, Anita
dedicou-se aos filhos: Menotti, Ricciotti, Teresita e
Rosita e continuou apoiando o movimento revolucionário,
realimentando seus ideais republicanos em reuniões políticas
em sua própria casa, onde congregava um grupo de
italianos republicanos.
Em 1848, Anita e os
filhos partem para Itália. Lá, entre o papel de dedicada
mãe e amantíssima esposa, reassume o de guerreira
lutando ao lado do marido pela Independência e unificação
daquele país. Em julho de 1849, Garibaldi e seus homens
precisaram fugir de Roma, levando junto à tropa, por
decisão dela, uma soldada grávida de cinco meses. E,
depois de longa e difícil fuga, Anita gravemente doente,
morreu no dia 4 de agosto de 1849 nos braços de seu
grande amor, numa fazenda no nordeste de Roma.
Perseguido, Garibaldi partiu sem poder assistir ao enterro
daquela que ele afirma em suas memórias, que era a dona
de sua alma.
CRONOLOGIA
- MOMENTOS QUE MARCARAM A VIDA DA HEROÍNA
1821
- Nascimento de Ana Maria de Jesus Ribeiro (Anita
Garibaldi), em Morrinhos, na época pertencente
à Laguna.
1835 - Anita casa com o sapateiro Manuel Duarte de Aguiar
- Início
da Revolução Farroupilha
1839 - Manuel Duarte, parte, sozinho, de Laguna.
- Proclamação
da República Catarinense, em Laguna.
- Anita conhece
Giuseppe Garibaldi e parte com ele para Lages
1840 - Nasce Menotti Garibaldi, primeiro filho do casal.
1841 - Anita e Giuseppe partem para Montevidéu, no
Uruguai.
1842 - Anita e Giuseppe casam, oficializando a união.
1843 - Nasce a filha Rosita Garibaldi
1845 - Nasce a filha Teresita Garibaldi
- Morre afilha
Rosita Garibaldi
1847 - Nasce o filho Ricciotti Garibaldi
- Anita parte
com os filhos para Gênova, na Itália.
1848 - Giuseppe parte par Itália (lutas pela unificação),
levando os restos mortais da filha Rosita.
- Anita e os legendários são recebidos em Ravena, Itália,
por uma procissão à luz de tochas.
1849
- Anita, grávida pela quinta vez vai a Nizza, terra natal
do marido.
- Doente, Anita vai a Roma, onde lutam Giuseppe e seus
guerreiros.
- No dia 4 de agosto, às 19h45, morre Anita
Garibaldi, aos 28 anos, em Mandriole, na Itália.
1859 - Giuseppe recupera os restos mortais de Anita e leva-os
a Nice, então pertencente à Itália.
1931 - Os ossos de Anita
Garibaldi são depositados no cemitério
Staglieno, em Gênova.
1932 - Os restos mortais foram levados para Roma e depositados
no monumento à heroína, erguido na Praça Anita
Garibaldi.
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ANTÔNIO
DE SOUZA NETTO
"Bravos companheiros da 1ª Brigada de
Cavalaria !
|
Ontem
obtivestes o mais completo triunfo sobre os escravos
da corte do Rio de Janeiro, a qual, invejosa das
vantagens locais da nossa província, faz derramar
sem piedade o sangue de nossos compatriotas, para
deste modo, fazê-la presa de suas vistas
ambiciosas. Miseráveis ! Todas as vezes que vis
satélites se têm apresentado diante das forças
livres, têm sucumbido, sem que este fatal desengano
os faça desistir de seus planos infernais.
São
sem números as injustiças feitas pelo governo. Seu
despotismo é o mais atroz. E sofreremos calados
tanta infâmia ? Não, nossos compatriotas, os
rio-grandenses, estão dispostos, como nós, a não
sofrer por mais tempo, a prepotência de um governo
tirânico, arbitrário e cruel como o atual. Em
todos os ângulos da província não soa outro eco
que o de INDEPENDÊNCIA, REPÚBLICA, LIBERDADE OU
MORTE. Este eco, majestoso, que tão constantemente
repetis, como uma parte deste solo de homens livres,
me faz declarar que proclamamos a nossa
independência, para o que nos dão bastante direito
os nossos trabalhos pela liberdade, e o triunfo que
ontem obtivemos, sobre esses miseráveis escravos do
poder absoluto. |

|
Camaradas ! Nós que compomos a 1ª Brigada do Exército
Liberal devemos ser os primeiros a proclamar, como
proclamamos, a independência desta província, a qual
fica desligada das demais do Império, e forma um estado
livre e INDEPENDENTE, com o título de REPÚBLICA
RIO-GRANDENSE, e cujo manifesto a nações civilizadas, se
fará competentemente.
Camaradas ! Gritemos pela primeira vez: VIVA A REPÚBLICA
RIO-GRANDENSE ! VIVA A INDEPENDÊNCIA ! VIVA O EXÉRCITO
REPUBLICANO RIO-GRANDENSE !
Campo dos Meneses, 11 de setembro de 1836.
Antônio de Souza Netto, Comandante da 1ª Brigada de
Cavalaria."
*Comentario: essa foi a proclamação lida pelo
Tenente-Coronel Joaquim Pedro Soares, um dia apos a
vitoria dos farrapos na Batalha do Seival. No dia
seguinte, 12/09/1836, ocorreu outra cerimônia, que
constou da lavratura e assinatura solene da ata de declaração
de independência e Proclamação da República
Rio-Grandense. Lá vai, na íntegra, essa ata histórica:
 |
"Aos doze dias do mês de setembro do ano de
mil oitocentos e trinta e seis, no acampamento volante da
costa do rio Jaguarão Chico, achando-se a 1ª Brigada
Republicana em grande parada, estando presente o Coronel
comandante da mesma, oficiais e oficiais inferiores que
subscrevem, por unânime vontade destes e da tropa, foi
declarado que - A província do Rio Grande do Sul de agora
em diante se constitiu LIVRE E INDEPENDENTE, com o título
de REPÚBLICA RIO-GRANDENSE, não só por ter todas as
faculdades para se apresentar entre as demais nações
livres do universo, se não também obrigada pela prepotência
do Rio de Janeiro, que por tantas vezes tem destruído
seus filhos, ora deprimindo sua honra, ora derramando seus
sangue e, finalmente, desfalcando-a de suas rendas públicas.
Por todos os motivos que se declararão em uma próxima
reunião da Assembléia Nacional Constituinte e
Legislativa, protestam ante o ser supremo do Univerno, não
embainhar suas espadas, e derramar todo o seu sangue antes
de retroceder de seus princípios políticos, proclamados
na presente declaração." |
*Comentario: o General Netto (na época, ainda
Coronel) enviou cópias para todos os cantos do Rio Grande
para levar ao conhecimento do povo a independência. A Câmara
Municipal de Jaguarão (na época, Serrito), em sessão
extraordinária, foi a primeira a reconhecer a República
Rio-Grandense.
Posto: General,
Brigadeiro (general de brigada)
Arma: Cavalaria
Exército: Exército
Republicano Rio-Grandense
País: República
Rio-Grandense (1836/1845)
Antônio de Souza Netto
foi um dos líderes da Guerra dos Farrapos (1835/1845) e
proclamador da República Rio-Grandense, em 11 de setembro
de 1836.
Sendo logo após
promovido a general, Netto foi a principal liderança no
"front" de batalha com a ausência de Bento Gonçalves
- preso no Rio e, depois, na Bahia - e o único líder
contrário a paz, no final da guerra, porque não aceitou
a derrota, a reintegração ao Brasil e as condições
desonrosas para os farroupilhas e escravos (que lutaram
sob a promessa de liberdade). Netto foi o melhor cavaleiro
da história do Rio Grande - e não Osório, que o Brasil
retribuiu com benesses, títulos nobiliárquicos e a menção
de "patrono" da Cavalaria.
O General Netto era valente e corajoso, sempre à frente
da vanguarda de sua Brigada Ligeira. Representava a síntese
do gaúcho, admirado pelos subordinados, era considerado o
"mimo" dos farroupilhas. Inicialmente, não
demostrava ser republicano, mas devido ao descaso do
Brasil durante a guerra e influenciado pelos fervorosos
camaradas republicanos e separatistas, tornou-se defensor
da autonomia e separação do Rio Grande, das liberdades
civis e da abolição aos escravos que lutaram pela República
e, posteriormente, o fim total da escravidão.
Com a derrota dos farroupilhas, Netto não concordou com o
acordo de paz aceito pelos seus camaradas; acreditava que
o certo e decente era continuar a lutar e defender a República
Rio-Grandense e os ideais de liberdade até o fim.
Perdendo quase todas as suas propriedades pela causa no
Rio Grande, foi viver no Uruguai em seu auto-exílio.
Levou consigo mais de 200 negros,
ex-escravos, cumprindo, em parte, sua promessa de
liberdade aos que lutaram pela República. Viveu por quase
20 anos em conflitos no Rio Grande, Uruguai e Argentina,
participando de quase todas as guerras neste período
(1845/1865), inclusive participando ativamente da política
e da
possibilidade da retomada da República Rio-Grandense.
Quando visitava o Rio
Grande, era normalmente visto no Campo dos Menezes, perto
do Arroio Seival, relembrando o passado (local do Combate
do Seival (10/09/1836) e da Proclamação no dia
seguinte). Era um inimigo potencial do Brasil, pois além
de estar vivendo no Uruguai, ainda era muito respeitado e
admirado no Rio Grande; comentava-se de acordos para
realizar o grande sonho de Artigas: a Confederação entre
Uruguai, Rio Grande e as províncias rebeldes do norte da
Argentina (Entre Rios, Corrientes e Santa Fé).
Certa vez, em 1864, foi
representar os gaúchos insatisfeitos, que viviam no
Uruguai, junto à corte imperial. Recebido pelo próprio
imperador D. Pedro II, relatou os problemas da insegurança
e conflitos na fronteira, afirmando que se o Brasil não
tinha condições de proteger os rio-grandenses, os próprios
rio-grandenses e ele (Netto) fariam isso - uma indireta
clara da retomada da República
Rio-Grandense. Enquanto isso, no Rio Grande, o Império do
Brasil gastava alta somas com benesses e títulos nobiliárquicos
aos gaúchos imperialistas, contra a ameaça da República
Rio-Grandense bradar novamente por liberdade.
Desejo de liberdade que durou até a Guerra do Paraguai.
Uma vez invadido, o Rio Grande uniu-se, imperialistas e
republicanos, para defender o território gaúcho. Netto
estava entre eles. Comandando a Brigada Ligeira dos Voluntários
Rio-Grandenses, Netto, à frente de 1.500 cavaleiros,
ostentava o pavilhão tricolor da República
Rio-Grandense, para desconfiança de alguns e remorsos de
outros. Era a propaganda da República. Netto acreditava
que o Rio Grande, após o fim da guerra, poderia voltar a
ser independente ou o Brasil inteiro proclamaria a
República (Confederação de Repúblicas Independentes).
Comentava-se que a Tríplice Aliança era, na verdade,
representada por "quatro comandos". Participou
com destaque, aos 63 anos, da campanha aliada até a
Batalha de Tuyuty. Ferido em combate, foi enviado ao
hospital militar de Corrientes, Argentina. Faleceu,
misteriosamente, em 1º de julho de 1866. Nem os
familiares diretos (mulher e filhas) tiveram acesso aos
dados da "causa morte". Ferido ?? Febre ??
Envenenamento ?? Não importa, o Brasil conseguiu
livrar-se do seu principal inimigo no Rio Grande.
25
de maio de 1803 - 1º de julho de 1866
Túmulo
onde estão, desde 1966, os restos mortais do General
Netto.
Cemitério
de Bagé, Rio Grande do Sul.
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SILVA
GOMES
Em ninguém foi maior nem mais desinteressada do que
Franscisco de Paula e Silva Gomes, a dedicação pela
causa da elevação do extremo sul paulista à categoria
de Província. Ele excedeu a todos os pregadores da aspiração
separatista, pela constante vibração do seu patriótico
idealismo realizador.
Em todas as oportunidades, — nas suas relações políticas
e sociais, no Rio Grande, em São Paulo, no Rio de Janeiro
sobretudo, ele trazia à baila os seus argumentos sobre as
necessidades da criação de uma nova Província em
Curitiba, necessidades nacionais de ordem política, econômica
e militar.
Era conhecido em todo o sul e na capital do Império, e em
toda a parte conceituadas a integridade do seu caráter,
à elevação do seu patriotismo e a inteligência com que
sabia seduzir simpatias para a causa de que se fizera o
movimentador magnífico, sem par do seu porte, em nenhum
tempo, entre os curitibanos.
Anos e anos a fio ele fez o comércio de gado entre as
campanhas do Rio Grande e as feiras de Sorocaba, varando,
vezes sem conta, campos e sertões gaúchos e paulistas em
imensuráveis distâncias.
Vendido o gado, transformada a indumentária de tropeiro
na de homem de sociedade, afeiçoava a longa cabeleira sob
as abas largas do chapéu do Chile e ia ter com os políticos
da Corte, de suas relações pessoais.
A esse tempo nenhuma tipografia havia na Comarca. Paula
Gomes fazia imprimir em avulsos os seus argumentos em prol
do seu absorvente ideal, no Rio de Janeiro, na “Tip.
Franc. rua de S. José, 64” e os distribuía
profusamente por a Comarca, por toda a Província, no Rio,
em Minas e no Rio Grande do Sul.
*** O ardoroso propagandista da elevação da 5ª Comarca
de São Paulo à categoria de Província, nasceu em
Curitiba a 4 de Fevereiro de 1802 e faleceu em Cruz Alta,
R. G. S., a 9 de Abril de 1857, assassinado por um tapuio
de 16 anos que ele criara como filho e que era o piá das
suas tropas.
Viu, porém, realizado o seu sonho. Mas enquanto, na Província,
surgiam nomes sem nenhuma expressão galgando as posições
políticas, ele prosseguia na sua vida de tropeiro, sem
ambições, sereno com a sua consciência de patriota —
somente pretendendo refazer pelo rude trabalho a que
estava afeito, sua fortuna gasta na propaganda da causa
vitoriosa.
Não conseguiu. Seu mais próximo parente o Snr. João de
Paula Gomes, pai do Snr. Major Antonio França Gomes,
herdou os seus bens avaliados em 36:000$000, dos quais o
mais valioso era uma tropa de muares.
O violino de Paula Gomes foi entregue ao seu filho
natural, "mestre" Generoso, pai do Snr. Benedito
dos Santos Dinis, ambos herdeiros do talento musical do
patriarca da constituição da Província.
A história, porém lhe inscreve o nome em letras
refulgentes, nele resumindo todos quantos, de 1811 a 1853,
tiveram parte na transformação política da Comarca
meridional paulista, na auspiciosa Província do Paraná e
na esplêndida realidade do Estado de hoje.
(Texto
compilado de Romário Martins)
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CORREIA
JUNIOR
Manoel Francisco Correia Junior foi um parnanguara dos
mais ilustres do seu tempo e na causa da criação da Província
um dos poucos batalhadores sinceros. Fez parte da
“Sociedade Patriótica dos Defensores da Independência
e da Liberdade Constitucional”, criada em Paranaguá no
ano de 1826, e quando, consolidada a conquista da independência
do Brasil, foi sua a iniciativa de se transformar, em
1853, essa corporação cívica em Irmandade de Misericórdia,
da qual resultou a fundação do hospital local, até hoje
de benemérita existência. Em 1837 fundou a loja maçônica
“União Paranaguense” ao que parece a primeira criada
no Paraná.
Em 1842, por ocasião da revolução paulista, Correia
Junior armou, fardou e manteve à sua custa um batalhão
legalista, entusiasmado pela promessa de Caxias e Monte
Alegre, de que, finda a luta, a Comarca seria elevada à
Província.
Após a pacificação foi ao Rio, ainda a serviço da
causa da Comarca. Diz ele nas suas memórias: — “No
Rio tive o desejo tolo de ser útil ao meu país.
Interessei-me pela separação da Comarca de Curitiba da
Província de S. Paulo, separação que supunha faria a
felicidade do meu país. (Esta convicção ainda a tenho
hoje, 24 de Janeiro de 1848). Parecerá aos que lerem
alguns anos depois, estas memórias, que isto me trazia
consideração entre os meus concidadãos. É totalmente o
contrário . Invejosos me desacreditaram, parentes me
perseguiram e eu me vi na dura necessidade, para salvar o
meu crédito, de me pôr em lugar ermo, à face dos meus
engenhos e aqui (Porto de Cima) estou trabalhando a ver se
posso deixar minha família sofrivelmente educada e
desembaraçada, esperando que aprenda de mim que, neste
mundo, as melhores ações só trazem desgosto, e,
portanto, vivendo com honra deve fazer por ser
independente, visto que só o real serve e a maldade
triunfa sempre das melhores, mais generosas e
desinteressadas ações”.
Moreira de Azevedo referindo-se a Correia Junior diz...
“viu os seus haveres abalados pelos sacrifícios que fez
na qualidade de Coronel da Guarda Nacional, encarregado da
defesa da Comarca, ameaçada em 1842 pelos revoltosos de São
Paulo”.
João da Silva Machado, encarregado das providências
militares da Comarca, de cuja elevação à Província
tirou o maior e melhor partido, procurou obscurecer o
valor da contribuição de Correia Junior, a ele não se
referindo em suas numerosas cartas ao Presidente de São
Paulo sobre a defesa da Comarca, e mesmo depois, finda a
rebelião, quando remeteu duas listas de curitibanos que
deviam ser condecorados por serviços prestados à defesa
da ordem, naquela emergência, injustamente omitiu o nome
de Correia Junior que tudo havia sacrificado naquele
sentido.
E foi assim que, enquanto o advena interesseiro conquistou
todas as posições que ambicionou, o parnaguara ilustre e
ardoroso idealista viu perdida toda a fortuna e dele se
afastaram alguns dos seus próprios parentes.
________________
***
Em todo o curso do movimento separatista da Comarca e da
sua autonomia administrativa, somente aparecem três
personalidades de realce, naturais dessa extensa
circunscrição judiciária: FLORIANO BENTO VIANA , em
1821, MANOEL FRANCISCO CORREIA JUNIOR e FRANCISCO DE PAULA
E SILVA GOMES, antes de 1842. Os demais foram
oportunistas...
No
momento da vitória da causa pela qual trabalharam, só
existiam PAULA GOMES, CORREIA JUNIOR e Silva
Machado. Os dois primeiros morreram em 1857, quatro anos
depois da realização dos seus sonhos. Na política da
nova Província não houve lugar para eles. Nem posições
nem honrarias, mas simplesmente o esquecimento. Ambos
haviam sacrificado pela causa suas fortunas. Correia
Junior foi viver num velho sitio em Porto de Cima,
desiludido de leais, de amigos e de parentes. Paula Gomes
fez-se novamente tropeiro vadeando os campos e sertões da
Vacaria a Sorocaba, morrendo numa dessas travessias.
(Texto
compilado de Romário Martins)
Início
da página
BENTO
GONÇALVES
Bento Gonçalves da Silva, sobre cujos ombros pesou a
responsabilidade imensa de toda a Revolução de 1835,
nasceu na então Freguesia do Senhor Bom Jesus do
Triumpho, atual município de Triunfo, a 23 de setembro de
1788, existindo ainda, naquela cidade, a casa que nasceu.
Ali residiam seus pais, quando veio ao mundo, o futuro herói
gaúcho, e eram eles o alferes Joaquim Gonçalves da Silva
e D. Perpétua da Costa Meirelles, sendo o pai natural de
Portugal e a mãe filha do Triunfo.
Fôra Bento Gonçalves
destinado ao sacerdócio, mas, como relutasse em seguir a
carreira eclesiástica, foi substituído por seu irmão
Roberto Gonçalves, que ficou sendo o padre da família.
Educou-se o valente gaúcho
nas lides campeiras, até que, em 1811, com 23 anos de
idade, começou a sua carreira militar na chamada
"Campanha de D. Diogo". Bento Gonçalves foi
juiz de paz na Vila de Mello, (atual cidade de Melo),
Uruguai, naquela época ainda Província Cisplatina, onde
casou-se com D. Caetana García da Silva, filha do
espanhol Narciso García, no Departamento do Cerro Largo,
onde residiu até 1818, mais ou menos, sempre se
correspondendo com as autoridades militares da fronteira
do Rio Grande, e organizando partidas e guerrilhas contra
os castelhanos, o que lhe valeu ser elevado ao posto de
capitão de milícias ficando no comando de uma
"partida volante da fronteira de Jaguarão".
|
Começou daí a destacar-se
com gestos de coragem e de audácia, perante seus
superiores hierárquicos, numa série de pequenos
encontros. Em 1824 era promovido a Tenente Coronel e, em
1825, ao posto de Coronel, logo depois da sangrenta
batalha do Sarandy, contra os Orientais. Comandando uma
Brigada de Cavalaria tomou parte saliente na indecisa
batalha do Passo do Rosário, em 1827. Nomeado, em 1829,
Coronel de Estado Maior foi destacado outra vez para a
fronteira do Jaguarão, afirmando-se dia a dia e cada vez
mais o seu prestigio.
A partir da abdicação de D.
Pedro I (7 de Abril de 1831), a política na terra gaúcha
tornou-se áspera e violenta. É que o movimento contra D.
Pedro I fora feito com esperanças de que os portugueses,
adotivos, "caramurus" ou "pés de
chumbo", como eram conhecidos, fossem afastados dos
cargos públicos aos quais eles se haviam perdido, quais
sanguessugas vorazes. O que é verdade, porém, é que no
Rio Grande eles continuaram, após aquele movimento, nos
cargos oficiais com acintoso menosprezo aos Rio
Grandenses. |

|
Havia dois partidos, por isso,
que se degladiavam violentamente, na Província. Um
formado pelos adeptos da Sociedade Defensora da Independência,
que queria manter a autonomia política do Brasil e
constituído, na maioria, por brasileiros natos; o outro,
que era partidário da Sociedade Militar e que pretendia
promover a volta de D. Pedro I ao Brasil, formado quase
que só por portugueses. No desdobramento histórico
desses partidos, eles tornaram-se mais tarde,
respectivamente, Luzia e Saquarema, e Liberal e
Conservador, durante o segundo reinado.
Para Bento Gonçalves
voltava-se, naquele momento, todo o Rio Grande do Sul nas
suas aspirações de liberdade. Mas, sobre o futuro chefe,
pairava o olhar adunco dos retrógrados, que não tardaram
em o acusar perante os grandes do Império. Chamado em
1833, à Corte, Bento Gonçalves seguiu imediatamente para
o Rio de Janeiro, tendo por advogado o major Lima e Silva,
seu amigo e correligionário e irmão do Regente, o qual
pulverizou as mesquinhas intrigas dos inimigos do Coronel,
demonstrando à Regência a falsidade das acusações que
haviam movido contra o valente militar e acusando por sua
vez os detentores do poder no Rio Grande. Regressou,
assim, Bento Gonçalves mais prestigiado para a sua terra
natal, mantido no comando de seu corpo e com uma pensão
do governo em atenção aos relevantes serviços por ele
prestados ao Império.
Historiar os primórdios da
revolução desde as grandes agitações que sacudiram e
sublevaram a alma rebelde dos continentinos até o seu
evento incoercível e violento, assim como o drama e a
tragédia da luta nas coxilhas esmeraldinas, seria impossível
dentro das contingências de um artigo, que nem é a
biografia de Bento Gonçalves, senão, apenas, uma ligeira
resenha de sua vida. Basta dizer que, em tudo isto, o
nosso herói era a figura central, em torno da qual
desdobravam-se os destinos da revolução.
Concorrendo com o valor de seu
braço e o prestigio de seu nome para o 20 de Setembro de
1835 e depondo Fernandes Braga, procurou Bento Gonçalves
imediatamente prestar obediência ao Governo Imperial, mas
este não o quis ouvir e ele bem andou em trazer de
sobreaviso seus partidários prontos para o que desse e
viesse. Não tardou, de fato, que os grandes patriotas
daquele movimento vissem que o Governo Imperial apenas
contemporizava com eles para logo que se visse forte
persegui-los e processá-los. Então Bento Gonçalves e
seus bravos companheiros de causa saíram para o campo
raso das batalhas e começaram a escrever, com heroísmo
inigualável, as paginas mais brilhantes da História
sul-americana. No combate da Ilha do Fanfa, a 4 de Outubro
de 1836, foi Bento Gonçalves aprisionado por Bento Manoel
Ribeiro, que assim vibrava um profundo golpe na revolução,
ferindo-a em cheio, no que ela tinha de mais caro. Os ânimos
daqueles bravos inquebrantáveis não se entibiavam jamais
diante dos revezes. Proclamada a República por Antonio de
Souza Netto, nas margens do Seival, foi, pouco depois,
escolhido Bento Gonçalves para seu presidente. E assim,
enquanto o chefe revolucionário amargava os dias na
fortaleza de Santa Cruz, no Rio, e, mais tarde, no Forte
do Mar, na Bahia, os seus irmãos daqui o homenageavam
desse modo, e, ainda mais, era ele promovido ao posto de
general, por decreto do governo Farroupilha de 12 de
Novembro de, 1836, por seu "merecimento, valor,
acrisolado patriotismo, perícia militar e relevantes
serviços que ha prestado à causa da liberdade Rio
Grandense". Lançavam, deste modo, um cartel desafio
aos imperiais, certos de que ele um dia ainda volveria aos
pagos para novamente pôr-se à frente daquele grupo de
heróis. E Bento Gonçalves, de fato, a 10 de Setembro de
1837, conseguiu evadir-se da Bahia e retornar à sua
terra, assumindo outra vez, o comando da luta.
O grande combate de Rio Pardo travado a 30 de Abril de
1838, o mais importante da Guerra, com a formidável vitória
obtida pelos Farrapos, veio dar-lhes muita força moral e
material. A república parecia consolidar-se e o governo
ia, aos poucos, se organizando. A invasão de Santa
Catarina, em 1839, por Canabarro, auxiliado eficazmente
por Garibaldi, foi um segundo desafio aos Imperiais.
Convocada e reunida a
constituinte farroupilha, em 1842, dela, que tanto se
esperava, surgiu a desavença entre os amigos da véspera
e uma acirrada luta partidária, que as intrigas mais
acentuaram, levou Bento Gonçalves a se demitir da Presidência
da República e a entregar o comando do Exército Rio
Grandense a David Canabarro num grande e nobre gesto de
renúncia e desprendimento.
O duelo por ele travado com
seu parente Onofre Pires, do qual resultou a morte deste,
ainda mais veio desgostá-lo. Entretanto, continuava o
mesmo soldado de sempre, brioso e leal. E só, no ultimo
momento, em 1845, quando o último soldado seu recolheu-se
ao rancho da querência distante, é que Bento Gonçalves,
pobre e abandonado, despiu se, por fim, da armadura de
cavaleiro andante, envolvendo-se na penumbra para morrer,
dois anos mais tarde, na residência de Gomes Jardim, em
Pedras Brancas, atual município de Guaíba.
Erros poderia ter esse Gaúcho
de valor. Erros tiveram muitos homens da sua estatura
moral e a História lhes perdoa. Mas, nós simbolizamos
nele todo o decênio heróico, glorioso, memorável,
inesquecível, da Guerra dos Farrapos. Foi ao aceno da sua
espada sem mácula, ao seu caráter adamantino, ao seu
prestigio oriundo de um passado que era uma garantia para
o porvir, que os Rio Grandenses se ergueram um dia,
cansados de tanto desapreço em que eram tidos por aqueles
áulicos da Corte, que, como o governo de Brasília de
hoje, só exigiam o nosso trabalho, a nossa coragem, o
nosso sangue, os nossos recursos financeiros e humanos,
sem dispensar-nos sequer a mínima consideração.
Honremos, por isso, Bento Gonçalves
da Silva, cuja figura legendária é bem a encarnação de
toda uma raça de titãs!
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Condensado de:
Episódios e Perfis de
1835
Deoclécio
Paranhos Antunes
Ed. Livraria do Globo
Porto Alegre - 1935
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da página
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GUMERCINDO
SARAIVA
Nascido em 13 de janeiro de 1852, primogênito do
ex-combatente farroupilha Francisco Saraiva e Dª Propícia
da Rosa, tem sido Gumercindo Saraiva um dos personagens
mais injustiçados pela história oficial.
Acusado em primeiro lugar de nem ser sulista (alguns
insistem em dizer que era uruguaio), foi redimido por Luís
Felipe de Castilhos Goycochea, em seu livro “Gumercindo
Saraiva na Guerra dos Maragatos” (Ed. Alba, Rio de
Janeiro, 1943), onde foi apresentada transcrição de seu
assentamento de batismo, provando definitivamente ter
Gumercindo nascido em território Rio Grandense, no atual
município de Arroio Grande.
|
Ainda criança
transferiu-se com sua família para o
departamento de Cerro Largo, Uruguai, onde seu pai faria
fortuna, chegando a ser um dos homens mais ricos daquele
país.
Quando Gumercindo, juntamente com seu irmão Aparício,
atingiu a adolescência, foi enviado a Montevidéu, para
estudar no colégio de Montero Vidaurreta, conhecido
educador. Os pais achavam que eles poderiam ser médicos
ou advogados, mas os dois logo se aborreceram e
aproveitaram a primeira oportunidade para escapar da
escola. A primeira que surgiu foi um levante contra o
governo colorado de Lorenzo Batlle, em 1870. Essa revolução,
liderada pelo caudilho rural Timoteo Aparicio, ficou
conhecida como Revolución de las Lanzas, devido à
arma que predominou, o que testemunhava o primitivismo da tecnologia militar disponível na época. Por conta da
revolução, Gumercindo começou a acumular prestígio,
chegando a ser nomeado comissário, logo após seu término,
em 1872. Seria o prenúncio da carreira do homem que, anos
mais tarde, seria amado por seus correligionários e
odiado mortalmente por seus inimigos políticos.
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Casou-se aos 21 anos e teve 4 filhos. Após o casamento,
cuidou da vida familiar e do progresso da estância que
morava, ainda no Uruguai, sendo muito conhecidas suas
habilidades como tropeiro.
Num dia de 1875 chegou a notícia de que don Angel
Muniz estava em armas novamente. Gumercindo foi nomeado
tenente em um piquete de Justino Muniz, irmão de don
Angel. Aparício receberia o posto de alferes. A revolução,
entretanto, não passou de algumas movimentações de
tropas e um ou outro entrevero com os adversários, já
que o caudilho Timoteo Aparicio desautorizou o movimento
armado. Logo chegou a notícia de que a revolução
acabara, antes mesmo dos primeiros conflitos armados.
Gumercindo, entretanto, já era um homem marcado. Todos
sabiam de sua afeição às revoluções e que era um blanco,
inimigo dos colorados. Por conta disso, seus
vizinhos de estância, que eram colorados, armaram um
conflito de divisa de terras visando provocar algum
incidente que o prejudicasse. No entrevero que se seguiu
acabou atirando em um peão do vizinho. Um processo penal
foi instituído com todo o júri colorado. Ante a ameaça
de ser preso, Gumercindo deixa o Uruguai e vem viver em
Santa Vitória do Palmar, administrar uma das estâncias
de seu pai. Em seguida consegue o respeito e simpatia de
seus vizinhos, principalmente por ser ativo combatente do
abigeato (roubo de gado) na região.
Seu biógrafo Manuel Fonseca disse: “Gumercindo era um
chefe nato, um caudilho senhoril, um cavalheiro bem
apessoado, que de imediato conquistava o coração dos que
se lhe aproximavam”.
Em seguida comprou suas próprias terras e logo foi
nomeado delegado; o Imperador Pedro II ofereceu-lhe o título
de Barão de Santa Vitória do Palmar, que ele recusou a
um pretexto qualquer, mas em verdade por ser republicano,
como era seu pai desde a Guerra dos Farrapos.
Julio
de Castilhos em 1890, quando cogitou organizar o Partido
Republicano em Santa Vitória, mandou oferecer-lhe a
chefia local do mesmo, por intermédio de Assis Brasil, a
qual oferta recusou por não admitir a colaboração dos
antigos conservadores, seus tradicionais inimigos de longa
data. Segundo alguns autores, aquela recusa foi a causa do
ódio que passou a devotar-lhe Julio de Castilhos, e a
causa de todas as acusações que passou Gumercindo, de
então em diante.
Com a ascenção de Julio de Castilhos ao governo do Rio
Grande, foi exonerado da função de delegado passando,
por ser inimigo deste, a ser perseguido, tendo inclusive
enfrentado processos judiciais, que culminaram com sua
prisão e, em seguida uma fuga espetacular do cárcere.
Numa fase de instabilidade no governo Rio Grandense,
estabeleceu-se a dualidade de poder, de um lado o
federalista Joca Tavares, e do outro o castilhista
Victorino Monteiro. O Rio Grande estava prestes a se
convulsionar. A revolução estava próxima. Gumercindo
voltou ao Uruguai para se juntar aos rebeldes, que
organizavam suas tropas em Melo.
Quatrocentos
cavaleiros atravessaram a fronteira no passo do Aceguá,
silenciosos e graves. Gumercindo estava vestido de negro,
e levava o lenço branco atado ao pescoço, assim como
Aparício. Todos os demais usavam lenços vermelhos - a
marca dos maragatos -, e que se transformariam também no
símbolo da revolução.
Gumercindo
e Aparício, entretanto, jamais colocariam aquela cor ao
pescoço, mesmo que estivessem indo para uma guerra. O lenço
branco, símbolo do Partido Nacional, pelo qual eles
haviam dado o sangue, nunca seria trocado pelo do antigo
inimigo. Os dois irmãos, ao que parece, professavam um
respeito sagrado aos símbolos. Não importava que a
guerra fosse em outro país, por outros motivos, talvez
por outras idéias.
As
batalhas se sucederam e em seguida os rebeldes, que eram
doze mil, tomaram várias cidades do Rio Grande. Mas uma
decisão controversa de Joca Tavares, o chefe da revolução,
fez com que recuassem e voltassem ao Uruguai, depondo
armas. Os orgulhosos revolucionários que haviam invadido
o Rio Grande a menos de dois meses voltavam ao Uruguai
humilhados e perplexos diante da decisão de seu chefe.
Mas
na tensa reunião em que os rebeldes decidiram a volta ao
Uruguai para reorganizar suas forças, o Coronel
Gumercindo Saraiva declarou solenemente que não
atravessaria a fronteira. A decisão de Gumercindo
naturalmente deve ter causado mal-estar na cúpula.
Afinal, o general Joca Tavares e o general Salgado sabiam
o que faziam. Tinham galões, tinham feridas, tinham história.
E esse castelhano quem era? São questões que dizem
respeito ao amor-próprio dos caudilhos, mas havia também
a questão política. Em que princípio Gumercindo Saraiva
era mais atilado e reto do que qualquer outro deles? Tais
questões ficavam no ar. De qualquer forma a iniciativa de
Gumercindo teve que ser aceita. Na mesma noite partiu com
seus quatrocentos lanceiros. O primeiro desafio seria
evadir o cerco governista. Mesmo com o descrédito de
muitos, conseguiu passar e, já na manhã seguinte
assaltou um potreiro republicano e levou 1600 cavalos
gordos. A lenda estava começando.
Logo
as suas histórias começavam a percorrer o Rio Grande: um
trem assaltado em Bagé, um curral incendiado em Jaguarão,
fios de telégrafo sabotados em São Gabriel, a tomada de
Lavras e a entrada triunfal em São Sepé.
Aparecia
e desaparecia com uma velocidade desconcertante,
desmoralizando as propostas de paz e as ofertas de
garantias para os federalistas que depusessem as armas.
Contra todos os pareceres, a guerra continuava, e tinha um
nome: Gumercindo. A Divisão do Norte foi chamada para
perseguir, encurralar e destroçar o contingente de
Gumercindo Saraiva. Perseguiram-no dia e noite e quando
pensavam que o tinham encurralado em Vacacaí Grande
perderam-no num capão cerrado.
Apareceu
de repente em Herval, deu um susto em Arroio Grande e
depois se apresentou diante de Jaguarão e postou-se em
posição de ataque. Pinheiro Machado compreendeu que
Gumercindo tinha a intenção de avançar até a cidade de
Rio Grande para apoiar Wandenkolk que, agora estava diante
do porto de Rio Grande, com sua precária armada. Se
Gumercindo pudesse dar-lhe apoio, as coisas começariam a
ficar complicadas. Pinheiro Machado compreendeu que
Gumercindo poderia incendiar os ânimos dos federalistas
mais uma vez. Acelerou a marcha da Divisão do Norte para
tomar-lhe a frente. Gumercindo parou sua marcha, esperou,
depois retrocedeu. Recebera a notícia de que os
federalistas já estavam recompostos, mais bem armados e
tinham tornado a entrar em território gaúcho. A reunião
seria em Ponche Verde, perto de Dom Pedrito. Com rapidez
desmobilizou o cerco e tocou no rumo do oeste. Quando
Pinheiro Machado chegou na região não encontrou mais
vestígio dos federalistas. Pinheiro Machado começava a
entender por que Assis Brasil, certa vez, fizera questão
de aliciar o caudilho. O homem fora um tropeiro. Como ele,
conhecia os atalhos.
Com
a Revolta da Armada e a tomada de Desterro, atual Florianópolis,
pelos revoltosos, os federalistas pensaram em uma união
com esses para a derrubada de Floriano Peixoto (uma vez
que esse apoiava Julio de Castilhos) e assim Gumercindo
iniciou a invasão de Santa Catarina e, posteriormente, do
Paraná, invadindo Curitiba em janeiro de 1894, onde
estabeleceu o quartel general. Em seguida procedeu,
juntamente com seu irmão Aparício, o memorável Cerco da
Cidade da Lapa, onde venceu os governistas após 26 dias
de batalha. Em fins de março, chegou a Ponta Grossa.
Nessa cidade lançou a ordem do dia anunciando a invasão
de São Paulo, na qual consta a primeira manifestação
documentada da intenção da criação de um novo país
constituído pelos três Estados do Sul, unidos: “a
consciencia me diz que eu devo proclamar a independencia
do Estado do Paraná e dos seus dois irmãos do Sul.”
(Ordem do Dia nº 6 – Ponta Grossa – Paraná – 7 de
abril de 1894).
Com
a reorganização das tropas da ditadura de Floriano,
recuou ao Rio Grande, onde, logo após reorganizar as
tropas federalistas, ao fiscalizar alguns piquetes
revolucionários, foi baleado por governistas tocaiados em
meio a um capão de mato, num ato considerado indigno por
qualquer combatente rio grandense da época. Em 10 de
agosto de 1894, no Carovi, expirou, sendo sua morte um
golpe na organização da revolução.
Enterrado
em Santiago do Boqueirão, seu túmulo foi profanado pelos
governistas que, ao saberem que se encontrava enterrado
ali, o desenterraram para cortar sua cabeça e leva-la a
Julio de Castilhos.
Hoje,
seu corpo sem cabeça encontra-se sepultado no Cemitério
Municipal de Santa Vitória do Palmar.
Acusado
de atrocidades pela propaganda de guerra governista,
centenas de testemunhos desmentiram tais fatos, inclusive
de inimigos políticos seus. Em casos de abusos cometidos
por seus comandados, punia exemplarmente, pois não
aceitava que as tropas maragatas fossem consideradas
violentas e não de soldados disciplinados. Quando
soldados maragatos foram acusados de roubar uma coleção
de moedas do Museu Paranaense, a título de ressarcimento
o então General Gumercindo Saraiva doou sua espada ao
acervo do Museu, onde encontra-se até hoje. Afastou seu
primo do comando de uma brigada por ter recebido denúncias
de que este era cruel com seus prisioneiros. Em suma, seus
atos provaram ser dotado de uma retidão de caráter visível
em poucos líderes da época.
Cumpre
lembrar que os revolucionários Federalistas, ao ganhar as
batalhas, garantiam os direitos e a vida dos adversários,
como nas capitulações de Tijucas e da Lapa, onde todos
os oficiais e praças florianistas foram libertados sem
punição. Entretanto, as mesmas tropas governistas,
quando venceram, não demonstraram a mesma grandeza; ao
contrário, partiram para a retaliação e vingança, ente
tantos, citamos o célebre caso do martírio do Km 65 da
estrada de ferro Curitiba – Paranaguá, onde foram
fuzilados o Barão do Serro Azul e outros célebres cidadãos
paranaenses inocentes.
Em
Desterro, atual Florianópolis, ocorreram centenas de
fuzilamentos de prisioneiros inocentes, entre eles o Barão
do Batovi e seu filho; muitos cidadãos catarinenses foram
tirados de suas casas sem nunca terem colaborado com a
Revolução, sendo assassinados também, por ordem de
Floriano Peixoto e sob o comando do tristemente memorável
coronel Moreira César, famoso por suas atrocidades, como
foi em Curitiba o famigerado general Ewerton Raimundo de
Quadros. Os fuzilamentos somente pararam quando negociada
a mudança do nome da capital catarinense para Florianópolis,
em triste homenagem ao verdugo dos filhos da nobre terra
catarinense.
Castilhos
Goycochea, Luiz
Felipe – Gumercindo Saraiva na Guerra dos Maragatos –
Ed. Alba – Rio de Janeiro – Brasil – 1943.
Ruas,
Tabajara; e Bones, Elmar – A Cabeça de
Gumercindo Saraiva – Ed Record – Rio de Janeiro –
Brasil – 1997.
Dourado,
Ângelo – Voluntários do Martírio – Fac-símile da
edição de 1896 – Martins Livreiro Editor – Porto
Alegre – 1992.
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GIUSEPPE
GARIBALDI
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Aventureiro,
"condottieri", caudilho ou coisa equivalente,
Giuseppe Garibaldi só pode ser classificado com um desses
adjetivos, em que pese a qualificação. Nascido em 04 de
julho 1807, em Niza, Itália (hoje Nice, França), muito
jovem ainda começou a sua trajetória de aventuras.
Depois de pequenas traquinadas, pontilhadas de lances de
coragem, fez-se marinheiro e cruzou o Mediterrâneo com
pouco mais de vinte anos. Adoece em Constantinopla, e só
regressa à Pátria em 1833, onde se encontra, pela
primeira vez, com Mazzini - o homem que já começava a
revolucionar a Itália em nome da República. Já era
Mazzini, por este tempo, o mentor do "Jovem Itália",
jornal que foi a cartilha por onde leram todos os
revolucionários do mundo e que teve projeção até no
Rio Grande dos Farrapos. Ao lado de Mazzini, tentam,
Garibaldi e outros, sublevar a Itália, mas, fracassada
aquela tentativa, Garibaldi viu-se condenado à morte. Sua
fuga tem lances emocionantes, preludiando já as suas
futuras aventuras. A bordo do "Nantonnier"
transporta-se então para a América do Sul.< | |